Descrição de chapéu

Anitta tipo exportação larga desbunde para emular Shakira e J-Lo

Álbum visual 'Kisses' foi lançado pela cantora na última sexta (5)

Pedro Diniz
São Paulo

“Atención, formación." Começa assim a última cartada de Anitta, um compilado imagético de dez músicas coreografadas em videoclipe, no jogo para marcar território no mercado internacional. 

As dez músicas do álbum visual “Kisses” já estão no ranking das 30 faixas mais tocadas da plataforma de streaming Spotify no Brasil, embora seu objetivo seja capturar a audiência pelos olhos, e não pelos ouvidos.

Diferentemente de outros produtos visuais com selo de exportação, a exemplo de um dos primeiros lançados, o “Lemonade”, de 2016, no qual Beyoncé chama garotas para “entrar em formação”, o de Anitta entrega a automassagem de ego que a capa em que ela beija a si mesma propõe.

Não há ordem aparente no percurso em que bananas e pés de maconha são fotografados para soar pop na cartela de cores saturadas do brasileiro Giovanni Bianco, o guru imagético dos últimos álbuns de Madonna e diretor artístico desses novos beijinhos de Anitta.

Álbuns como esse, em tese, são produzidos para embalar histórias com começo, meio e fim, mas a funkeira preferiu se travestir de diferentes personagens, da garota do cabaré esfumaçado de “Juego” à neoestrela da MPB no dueto “Você Mentiu”, em um vídeo preto e branco qualquer coisa com Caetano Veloso, sem criar uma imagem diferente de verdade. 

A vindoura parceria com Madonna e uma outra com o DJ Alok coroará a estratégia de expansão da grife Anitta no hemisfério Norte, mas ela mais parece querer se encaixar em estereótipos já consolidados do que se vender como carne nova na prateleira.

Em certos momentos, jogada na cama ou na praia em “Tu y Yo”, ela lembra a fase romântica de Shakira, em “Rosa”, a mais sensual de Jennifer Lopez, e em “Bananas”, o mais vendável e, até agora, o mais visualizado desses dez editoriais de moda, cuja imagem poderia ser apropriada por Nicki Minaj, Ariana Grande ou Selena Gomez.

Bodies cavados, shortinhos, moletons, correntes de strass e estampas de bicho, o armário básico do pop em língua inglesa, substituíram os novos padrões que ela vinha construindo em vídeos anteriores, quando uma simples fita isolante arrebatou a audiência e virou fantasia de Carnaval.

Pouco se vê desse desbunde na laje que foi “Vai Malandra”, tampouco a ousadia imagética de “Is That For Me”, quando desafiou o bom gosto em uma viagem transamazônica trajada com um sutiã de metal e botas gigantes. Anitta preferiu entregar um funk asseado, seguro, que, mesmo recheado de rebolado e palavrão, não soa e nem espelha seu melhor.

É como se procurando uma liga imagética para o emaranhado de músicas parecidas que tinha na mão, se perdeu em ilusionismos, cortes de edição e perucas, o que há pouco se chamava gagaísmo, referência ao padrão Lady Gaga de ser, e é fórmula já datada.

Não se trata de criar a roda, mas tentar fazê-la girar de uma forma diferente, que chame a atenção por sugerir aos novos ouvintes e espectadores algo mais do que apenas uma artista em formação, porque ela já passou há tempos dessa linha.

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