Chuva causa alagamento no térreo da Bienal durante a SP-Arte

Estandes de galerias ficaram encharcados; funcionários tentaram dar um jeito com rodos

São Paulo

Não era uma performance, ao contrário do que muitos pensaram no início. O temporal que caiu em São Paulo na tarde de sábado (6) inundou o térreo do pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera, onde ocorre a feira SP-Arte.

A água entrou pelas portas de vidro do térreo, alagando os estandes de uma série de galerias, entre elas a Andrea Rehder.

Térreo da Bienal na tarde deste sábado (6), durante a SP-Arte, cheio de água
Água invade o piso térreo da Bienal na tarde deste sábado (6), durante a SP-Arte - Folhapress

Galeristas e colecionadores transitavam assustados no meio da água, alguns gritando ao ser atingidos por respingos e outros permanecendo impávidos em suas cadeiras para não molhar os pés. O térreo do pavilhão abriga a ala de galerias emergentes, que representam em geral jovens artistas estreantes no mercado de arte. 

Uma equipe de bombeiros e faxineiros tentou conter as ondas que vinham de fora com rodos, mas demorou para que fosse possível avistar de novo o chão e estandes ficaram encharcados.

A água se estendeu por boa parte do nível mais baixo do prédio modernista desenhado por Oscar Niemeyer, transformando os corredores de estandes num espelho d’água.

“A onda veio por cima, não deu tempo de evitar. Destruiu a obra inteira”, disse a galerista Andrea Rehder, sobre uma instalação com 700 placas de vidro criada pela artista Alessandra Rehder, sua filha. A peça é avaliada em R$ 21 mil. “A água veio numa grande velocidade.”

Na mesma galeria, um profissional da limpeza ainda esbarrou com o rodo numa escultura de alumínio, que caiu de seu pedestal. A marchande disse que acionaria um seguro para reaver os valores.

A chuva também atingiu o segundo andar do pavilhão da Bienal, encharcando as paredes de alguns estandes. O galerista Eduardo Fernandes, por exemplo, precisou remover às pressas uma escultura de Ana Amélia Genioli que estava pendurada.

Montadores também foram chamados para remover as obras do estande da galeria britânica Lisson, uma das mais influentes do mundo, que também sofreu com a inundação na SP-Arte.

Depois do incidente, agravado pelo vazamento de água de um duto de ar-condicionado, os britânicos decidiram levar todas as telas que estavam penduradas nas paredes para um depósito, entre elas peças de Richard Long e Leon Polk Smith. ​

Em nota oficial, a direção da feira informa que o entupimento de um bueiro no parque Ibirapuera causou o alagamento no térreo. A SP-Arte lembrou ainda que todas as obras são asseguradas.

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