Vanessa da Mata volta ao estúdio após 5 anos e produz pop autoral refinado

Artista comanda toda a gravação de 'Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina'

Thales de Menezes
São Paulo

Depois de um álbum de estúdio em 2014, "Segue o Som", a cantora Vanessa da Mata lançou nos últimos cinco anos apenas um registro de show, "Caixinha de Música (Ao Vivo)", em CD e DVD. Agora, uma nova safra de canções autorais aparece em um disco poderoso e pop.

"Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina", álbum batizado com o nome de uma das faixas mais ambiciosas do repertório, é uma coleção de canções com cara de hit radiofônico, se tocar nas rádios ainda fosse relevante no difuso mercado musical de 2019.

Após trabalhar com produtores, a cantora optou por comandar toda a gravação. "Já tinha a ideia há algum tempo. Eu gostava muito dos meus produtores, aproveitei a identidade pop do Liminha, experimentei uma variedade de música brasileira com Kassin."

Às vezes, ela tinha tanta música que rolavam os palpites de qual era para entrar no disco ou não. Neste álbum, ela tinha convicção em relação a um núcleo inicial de canções.

"Eu ouvia 'Nossa Geração', 'Só Você e Eu' e 'Demais Pra Mim' e sentia que essas músicas tinham potencial."

Produzir o próprio trabalho deu a ela a oportunidade de insistir com algumas músicas que, a princípio, pareciam fadadas a ficar fora do álbum. "'Vá com Deus' e 'Hoje Eu Sei' quase não entraram, cobraram mais caro pela mixagem do disco de tanto que eu ficava mexendo nelas", conta a artista, rindo. "Eu acreditei nessas canções, quis dar uma segunda chance."

Terminar as músicas no estúdio, já com a gravação em andamento, é corriqueiro para a cantora. "Venho com pedaços de música e a ideia geral do disco, as canções são feitas no estúdio. Eu terminei a letra de 'Demais pra Mim' no dia da gravação. Todos os discos foram assim, não me causa nenhum incômodo."

Além do pop autoral refinado, mas de grudar no ouvido, o disco tem surpresas. "Debaixo da Saia Dela" é um samba pesado, de batuque festeiro, que deve funcionar muito bem nos shows. "Vá com Deus" traz uma letra longa em que a cantora cutuca a solidão que as pessoas tentam ocultar em suas redes sociais.

O momento mais inusitado é "Tenha Dó de Mim", parceria com Baco Exu do Blues, apresentada em dueto. A combinação chega a algo que soa estranho para ela e também passa longe do som contundente do rapper. Fica num instigante meio do caminho entre a música de cada um.

Outra parceria, esta dentro de um pop mais comportado, é "Hoje Eu Sei", com o sueco Jonas Myrin. "Ele esteve no Brasil e escrevemos juntos umas três ou quatro músicas. Restou um pedaço de melodia que ficou na minha cabeça, e daí eu desenvolvi a canção inteira", diz a cantora.

Além da banda que ela leva para sua turnê, o disco tem participações de David Moraes, em cinco faixas, e João Barone, dos Paralamas, em duas. Uma delas é "Ajoelha e Reza", parceria dela com Liminha que parece um hit do rock brasileiro dos anos 1980. Mais um momento agradável em um disco repleto deles.

Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina

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