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Cinema

Atriz é grande destaque de longa francês, sem ofuscar o drama

Virginie Efira já levou nas costas muitos filmes fracos e mesmo aos 42 anos pode ser jovem ingênua ou avó grisalha

Sérgio Alpendre

Um Amor Impossível

  • Quando Estreia nesta quinta (22)
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Virginie Efira, Niels Schneider, Jehnny Beth
  • Produção França/Bélgica, 2019
  • Direção Catherine Corsini

Duas mulheres, dois universos distintos. Virginie Efira é uma atriz de rosto marcante. Com seu olhar capaz de mover mundos, compõe personagens fortes, mesmo quando frágeis.

Ela já levou nas costas muitos filmes fracos e mesmo aos 42 anos pode ser uma jovem ingênua com a mesma desenvoltura com que interpreta uma advogada ou uma avó de cabelos grisalhos.

Catherine Corsini é a diretora. Veterana, de carreira irregular, mas com dois bons filmes em sequência, "3 Mundos" (2012) e "Um Belo Verão" (2015), encontra em Efira uma atriz capaz de fazer qualquer filme girar em torno dela.

Dito isso, há um risco em "Um Amor Impossível": uma atriz assim, de tão forte presença, pode desequilibrar o elenco e botar tudo a perder. Isto se a direção não souber reequilibrar as atuações com todos os outros elementos, ou fazer com que o desequilíbrio das atuações seja um componente estético.

Corsini tem uma mão adequada, nem pesada nem leve, e por isso consegue contornar qualquer desequilíbrio que possa encontrar. Ainda mais porque vem de um outro longa sobre amor impossível, "Um Belo Verão" (2016). Efira brilha, mais uma vez, mas não ofusca o drama. Antes, o drama é fortalecido por seu brilho.

No final dos anos 1950, Efira é Rachel, moça que conhece o jovem Philippe (Niels Schneider) num baile e se apaixona perdidamente por ele. Philippe é desertor da Guerra da Argélia, e só não está na prisão por ter amigos em altos postos.

Mas não é isso que torna o amor impossível. É a diferença de classes. Rachel é uma simples escriturária, enquanto Philippe pertence à alta burguesia e a uma família muito culta. Ela engravida, tem uma filha chamada Chantal, mas ele recusa o casamento com uma mulher de outra classe social.

Rachel cria Chantal com seus próprios meios, enquanto Philippe, sempre covarde e sem querer reconhecer a filha, aparece muito de vez em quando.

O filme avança pelo ponto de vista de Chantal, que narra a história da maneira como enxerga os momentos mais importantes na vida de sua mãe, enquanto a própria Chantal atinge a adolescência, depois a vida adulta, abrindo portas para novos conflitos.

Talvez a trama, baseada em um romance homônimo de Christine Angot, seja dura demais com Rachel. Mas a atriz segura as pontas e dá a volta por cima com delicadeza e personalidade.

Uma imagem basta para percebermos a força de Virginie Efira como parte integrante deste belo filme de Corsini: quando ela percebe, no sofá, vendo um musical na TV, que não pode dar a Chantal o que Philippe daria, e que existem outros amores impossíveis em jogo.

É com momentos assim que o cinema se fortalece.

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