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Cinema

Documentário traz lenda de que espírito de Laika perambula por Moscou

Outras cenas acompanham o comportamento de dois cães de rua, mas não se confundem com o formato naturalista dos programas do Animal Planet

Cães do Espaço

  • Quando 17/10, às 20h (Espaço Itaú Augusta – sala 1); 18/10, às 16h20 (Cinearte 2); 22/10, às 19h, Sesc Belenzinho; 30/10, às 19h10, (Espaço Itaú Frei Caneca – sala 3)
  • Onde 43ª Mostra Internacional de Cinema de SP
  • Classificação 14 anos
  • Produção Áustria/Alemanha, 2019
  • Direção Elsa Kremser e Levin Peter

Antes de Gagarin descrever que “a Terra é azul” ou de Armstrong comparar seu pequeno passo no solo lunar a um “grande salto para a humanidade”, os primeiros “astronautas” foram seres vivos que não falavam a língua dos homens. Em 1957, a pioneira cadela Laika foi enviada ao espaço pelos soviéticos, mas não enviou nenhum relato de sua experiência.

“Cães do Espaço”, documentário d o alemão Levin Peter e da austríaca Elsa Kremser, dá um sentido a esta história completando-a com uma lenda urbana que diz que o espírito da cadela retornou à Terra e vive em meio aos cães que perambulam pelas ruas de Moscou.

O termo “espaço” abrange, desse modo, o lá e o aqui, a imensidão fora do mundo ou simplesmente um lugar onde estão criaturas perdidas ou abandonadas.

Kremser e Peter combinam dois tipos de materiais. Imagens de arquivo mostram os testes e experiências aos quais os cães foram submetidos para avaliar como o organismo responde às condições estranhas das viagens espaciais, assim como o nível de estresse. Estas imagens, é bom frisar, podem ser insuportáveis para os mais sensíveis.

Outras cenas acompanham o comportamento de dois cães de rua, mas não se confundem com o formato naturalista dos programas do Animal Planet. A busca por alimentos, a delimitação de território e o convívio combinado com agressividade compõem uma dramaturgia próxima da ficção, construída com ações, tensão e suspense.

A câmera posicionada na altura dos cães não simula o ponto de vista animal, mas nos insere na relação deles com os lugares e com as presas, revela sua reação ao que atrai e ao que ameaça. A proposta não é só de imersão sensorial, também dá uma perspectiva dos instintos.

Esta dimensão materialista, orgânica não é o único aspecto que surpreende no trabalho da dupla austríaca. Afinal, a condição marginal dos cães de rua, abandonados à própria sorte como a pequena Laika, equivale à dos excluídos de outras espécies, quando reduzidos somente à sobrevivência.

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