Morre Nina Horta, colunista de gastronomia da Folha, aos 80 anos

A escritora, banqueteira e empresária tinha coluna no jornal desde o fim dos anos 1980

São Paulo

A colunista da Folha Nina Horta morreu na noite deste domingo (6), aos 80 anos, em São Paulo, em decorrência de uma infecção generalizada.

A mineira de Belo Horizonte adotou São Paulo para viver desde que, nos anos 1960, estudou na Faculdade de Educação da USP. Conhecida banqueteira, por 27 anos manteve, com a sócia Andrea Rinzler, o Buffet Ginger. A parceria acabou em 2012.

De cabelos brancos e presos, Nina apoia os cotovelos sobre uma mesa e apoia o queixo com a mão
Nina Horta em sua casa em São Paulo em 2015 - Raquel Cunha/Folhapress

Nina escrevia sobre gastronomia no jornal desde 1987. Em 27 de setembro daquele ano, a Folha publicou seu primeiro texto, ainda uma colaboração, intitulado "Churrasco com alho e frutas".

Não demorou muito para que ela se tornasse habituée do periódico: publicou, em seguida, no extinto caderno Casa e Companhia e na revista D. Em 1993, ganhou uma coluna na Ilustrada. Na estreia, em 12 de fevereiro, falou sobre a popularização de sabores orientais

Escritora e empresária, recebeu o prêmio Jabuti de Gastronomia em 2016 com o livro "O Frango Ensopado da Minha Mãe" (Companhia das Letras), que reúne algumas de suas crônicas. 

"Não É Sopa", sua primeira coletânea de crônicas, foi lançada em 1995. Traduziu também livros sobre gastronomia, como o importante “Sal, Gordura, Ácido, Calor”, recém-lançado no país, da chef Samin Nosrat, colunista do New York Times. A obra inspirou a série “Salt Fat Acid Heat”, da Netflix.

Nina gostava de Paraty, no litoral fluminense, onde tinha um sítio há mais de 30 anos.

"É muito triste porque todo mundo que escreve ou escreveu sobre comida tem um tributo a Nina Horta. Ela é onipresente, há uma presença sempre sobre seu ombro. A gente se sente devedor e sempre pensa o que a Nina escreveria sobre isso", diz o jornalista especializado em comida Luiz Américo Camargo, pesquisador de panificação. 

"A Nina era um ser único, eu não perdia uma coluna dela na Folha", diz a antropóloga Lilia Schwarcz. "Era uma grande pensadora e ótima amiga, sobretudo muito íntegra."

Segundo Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, "durante muitos anos ela foi responsável por todos os jantares para escritores estrangeiros".

A colunista do Estadão e autora do blog Come-se, Neide Rigo, também lamentou a morte da amiga. "Eu era muito fã dela e acho que ela é uma referência para todo mundo que escreve", diz. "Eu lia muito a coluna dela, me emocionava e me impulsionou também a escrever. O céu está cheio de poesia agora."

Viúva de Sylvio Horta, Nina deixa três filhos (Octavio, Sylvio e Dulce),  três netos (Laura, Pedro e Úrsula), um bisneto (Arthur). O velório acontece na manhã desta segunda (7) e o enterro, às 11h, no Cemitério do Morumbi.

No vídeo abaixo, de 2017, Nina fala sobre cozinhar para o Natal:

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