Descrição de chapéu Leonardo da Vinci, 500

Mostra da Biblioteca Nacional traz lado poeta e cientista de Da Vinci, no Rio

'A Alma do Mundo - Leonardo 500 Anos' relaciona estudos de Da Vinci com matemática e técnica de conservação de cadáveres

Michel Alecrim
Rio de Janeiro

A inesgotável força da obra de Leonardo Da Vinci pode ser constatada na exposição “A Alma do Mundo - Leonardo 500 Anos”, em cartaz na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Ela relaciona seus estudos com a geometria fractal contemporânea, a matemática dos fluxos e a técnica de conservação de cadáveres.

A instituição procurou apresentar ao público um Da Vinci diferente do grande inventor. Pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada contribuíram com um vídeo em que a “Mona Lisa” se transforma em sapo e outras figuras, relacionando tais mutações aos estudos de fluidos do renascentista.

O organizador da exposição e presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, afirma que, apesar da paixão de Da Vinci pela matemática clássica, as inquietações dele extrapolaram a racionalidade dos gregos. Por isso, pode ser associada à moderna geometria caótica.

Seus trabalhos de dissecação de corpos também servem de inspiração até hoje para anatomistas, como os do Museu de Ciência e de Vida da Universidade Federal do Espírito Santo, que cederam peças de animais e de tecidos de corpos humanos que passaram por plastinação, ou seja, foram preservados pela substituição da água por material sintético.

“O que está por trás de todo aquele Leonardo cientista que a gente imagina é sua visão poética do mundo. Muito mais importante do que as máquinas é sua compreensão de que o mundo tem uma alma”, diz Lucchesi.

A Biblioteca Nacional também reuniu obras raras de seu acervo que se relacionam com o gênio italiano. Alguns foram livros lidos pelo mestre renascentista e que sobreviveram não só a cinco séculos de existência como ao transporte marítimo em 1808, quando a família real portuguesa veio para o Brasil.

O mais ilustre dos livros na mostra é “Divina Proportione”, de Luca Pacioli, um amigo de Da Vinci, que contribuiu com 60 ilustrações para a obra. Nele, são encontrados os famosos sólidos platônicos, figuras geométricas complexas que seriam a base para a formação do mundo. Segundo Lucchesi, as figuras podem ter tanto essa interpretação mística quanto importância científica, tendo em vista a contribuição dessa geometria para o cinema em 3D, por exemplo.

Muitos volumes raros impressos há séculos, guardados pela instituição, poderiam figurar na exposição, mas não havia tempo hábil nem recursos para recuperar todos. Pelo menos três foram tratados pela equipe da biblioteca especialmente para a mostra —dois do filósofo Marsilio Ficino e do humanista também italiano Leon Battista Alberti.

“Não é permitida a exposição de obras que não estejam em bom estado. Como é um processo demorado, tivemos que pinçar algumas que fossem muito importantes para essa exposição”, diz Mônica Carneiro, colega de Lucchesi.

A Biblioteca Nacional também lembrou o lado artístico do gênio, fazendo uma homenagem única com obras de artistas brasileiros. Chamam a atenção duas reproduções de quadros de Da Vinci feitas a partir de estudos do pintor Israel Pedrosa. Uma delas foi feita a partir da pintura “Anunciação” e resultou nas cores que decoram a sala. Já a “Batalha de Anghiari”, um afresco de 1505, foi transformado em tela com cores vibrantes pelo artista morto há três anos.

“A ‘Batalha de Anghiari’ foi um dos grandes fracassos de Leonardo do ponto de vista da técnica. Rubens conseguiu recuperá-lo e Israel Pedrosa o completou”, conta Lucchesi.

A Alma do Mundo - Leonardo 500 Anos

  • Quando Seg., das 12h às 17h; ter. a sex., das 10h às 17h; sáb., das 10h30 às 14h30. Até 28/2
  • Onde Biblioteca Nacional, r. México s/nº, Rio de Janeiro
  • Preço Grátis
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