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Gestão econômica de Dilma Rousseff foi a mais intervencionista desde Geisel

Primeira mulher eleita para o cargo de presidente do país é tema do 27º volume da Coleção Folha - A República Brasileira

São Paulo

A política econômica do governo de Dilma Rousseff foi a mais intervencionista desde a gestão do general Ernesto Geisel, o quarto presidente da ditadura militar. 

Essa é a avaliação do jornalista Lucas Ferraz, autor do 27º volume da Coleção Folha - A República Brasileira. O livro sobre a primeira mulher eleita para o cargo de presidente do Brasil chega às bancas no dia 15 de março.

Dilma contou com alta popularidade ao longo de 2011, o ano inicial do seu primeiro mandato. Naqueles meses, a presidente mineira se notabilizou por uma “faxina ética” nos altos escalões da gestão. 

Com o passar do tempo, ficou evidente o caráter intervencionista de seu governo, graus acima do que havia feito Luiz Inácio Lula da Silva, de quem ela tinha sido ministra.  

Tamanha presença do Estado na vida econômica do país foi determinante para o endividamento do setor público. Em 2014, a gestão de Dilma gastou R$ 32,5 bilhões a mais do que arrecadou, causando o primeiro déficit desde 2002.

Àquela altura, último ano do primeiro mandato da presidente, existiam sinais claros de deterioração dos principais indicadores econômicos. 

Esse foi um dos fatores centrais da crise que resultou no impeachment de Dilma, em 2016. Mas existiam outras razões, como escreve Ferraz.

Ele aponta “o distanciamento das promessas de campanha [para o segundo mandato] e a adoção da agenda econômica do adversário; o isolamento político; a aliança entre o empresariado e a classe política, ambos descontentes com a presidente; e o avanço da operação Lava Jato”.

Havia ainda a pressão popular. A partir das chamadas jornadas de junho de 2013, multidões passaram a tomar as ruas das cidades do país. 

A sobrevivência do governo se tornou ainda mais difícil em fevereiro de 2015, com a eleição do deputado Eduardo Cunha, do MDB, para presidente de Câmara —para Dilma, um “gângster inteligente”. 

As articulações de Cunha (preso em outubro de 2016) e de Michel Temer, o vice que cobiçava o cargo máximo da República, se somaram às reações confusas do governo.  

Em abril de 2016, a Câmara autorizou a abertura do processo de impeachment. A presidente era acusada de promover “pedaladas fiscais”, uma manobra contábil para encobrir rombos orçamentários.

Para alguns analistas, tratava-se de um pretexto dos adversários para afastá-la. 

Em agosto, o Senado aprovou o impeachment de Dilma. “Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”, disse a presidente na época. 

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