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Série 'Westworld' sai dos parques para recuperar prestígio perdido

Boa parte da nova temporada se passa na Los Angeles de 2058

Los Angeles

Quando estreou há quatro anos, “Westworld” foi encarada como a substituta de “Game of Thrones” pelo canal HBO. A série baseada no filme de 1973 dirigido e escrito por Michael Crichton trouxe temas tecnológicos existencialistas, ação moderna e ótimos números de audiência.

Mas, então, veio a segunda temporada com suas linhas narrativas fragmentadas e trajetórias confusas. A audiência caiu 14%, e os críticos acharam os episódios “complexos demais”, comparando a sensação de ver a série com a de fazer um dever de casa.

A terceira temporada da série criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy estreia agora como um recomeço em oito episódios. Dolores, a líder da rebelião robótica, vivida por Evan Rachel Wood, escapa dos parques temáticos onde servia de para-raios para as frustrações doentias dos humanos e entra no mundo real em busca de vingança e dominação.

Os criadores asseguram que as críticas não tiveram influência. “Apresentamos a ideia para a terceira temporada no momento em que vendemos a série, anos atrás”, diz Nolan a este repórter. “Não é um ‘reboot’ de maneira alguma.”

Boa parte da nova temporada se passa na Los Angeles de 2058, onde a robô tenta encontrar dados secretos que lhe dariam controle total sobre a tecnologia vigente. A jornada leva a personagem de encontro a Caleb, papel de Aaron Paul, um veterano do Exército que precisa pagar as contas hospitalares da mãe com trabalhos de construção e missões criminosas distribuídas por um app.

Claro que “Westworld” não seria a mesma sem um novo parque. É quando encontramos Maeve, personagem de Thandie Newton, a dona do cabaré robótico que ganhou consciência, agora prisioneira de uma atração onde o convidado combate nazistas na Segunda Guerra. Sua trajetória é misteriosa, mas serve de desculpa para as cenas de ação ao lado do Hector, de Rodrigo Santoro, que se torna um rebelde sem lembrança dos outros parques.

“Não chamaria de ‘reboot’. Diria que desentupimos o que estava obstruindo o canal de trabalho. E ficou magnífico”, diz Thandie Newton.

A última trama gira em torno de Bernard Lowe, vivido por Jeffrey Wright, e seu novo guarda-costas, Stubbs, papel de Luke Hemsworth. Tentando deter Dolores, os dois vagam pelas entranhas de Westworld e se deparam com um parque baseado em “Game of Thrones”. A cena tem os criadores da série, David Benioff e D.B. Weiss, ao lado de um dragão.

“George R. R. Martin pedia para ter um parque de ‘Game of Thrones’ em ‘Westworld’, então não conseguimos resistir à tentação de prestar homenagem à série que mudou a televisão e criou espaço para que pudéssemos existir”, afirma Nolan.

Na nova safra, “Westworld” crava os dentes num tema atual, o livre arbítrio. “O assunto fascina pensadores há séculos. Somos quem somos por escolha ou existe algo pré-determinado, como genética, destino ou Deus?”, pergunta a criadora Lisa Joy. “Precisamos adicionar um ingrediente: como nosso livre arbítrio está sendo manipulado pela tecnologia?”

“É uma faca de dois gumes”, diz a atriz Evan Rachel Wood. “Amo as redes sociais para conversar em tempo real, mas é também uma falsa realidade controlada por corporações. Precisamos ter consciência disso. Devemos aprender sobre a tecnologia que está prestes a dominar o mundo.”

Neste momento, um celular toca na sala e interrompe a conversa. Wood para por alguns segundos e pergunta, apontando o aparelho: “Está vendo o que estou falando?”

Westworld

  • Quando Domingo (15), às 22h03, na HBO
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