Descrição de chapéu The New York Times Televisão

'Killing Eve' volta com mais drama psicológico, mas sem abandonar o suspense

Um dos motivos da popularidade da série é sua criadora, Phoebe Waller-Bridge, de 'Fleabag'

Roslyn Sulcas
The New York Times

Sandra Oh estava vasculhando no meio do lixo jogado numa caçamba e de repente soltou um grito lancinante. “Uau, excelente”, disse o ator Turlough Convery, seu colega de elenco, enquanto a filmagem parava.

Era um dia cinzento no set de “Killing Eve”, um drama de espionagem cuja locação era um edifício de escritórios em Londres. A cena é parte da terceira temporada da série, e o momento captura a essência do que Oh oferece em seu papel como Eve Polastri, agente excêntrica e passional do serviço de espionagem britânico .

Mas naquele momento, Oh não estava atuando. “Foi genuíno”, disse, com uma expressão de pânico no rosto. “Tinha alguma coisa se mexendo lá!”

O desempenho de Oh, assim como o trabalho que valeu um Emmy a Jody Comer —no papel da assassina Villanelle— são dois dos motivos pelos quais “Kiling Eve” tenha disparado em popularidade depois de um começo modesto, embora elogiado pela crítica, em 2018. Um terceiro motivo é a criadora da série, Phoebe Waller-Bridge (“Fleabag”), cuja adaptação dos romances de Luke Jennings mistura comédia e suspense, com uma dose decisiva de desejos sombrios e silenciosos.

Pelo final de sua primeira temporada, a audiência da série tinha dobrado, e “Kiling Eve” conquistou um Globo de Ouro. A segunda temporada trouxe uma nova ascensão, sob o comando de uma nova roteirista chefe, Emerald Fennell, e valeu à série um Emmy e diversos prêmios Bafta.

A série volta sob o comando de Suzanne Heathcote, conhecida por “Fear the Walking Dead”. De novo, os produtores decidiram arriscar e mexer em uma fórmula vencedora.

A série manterá seu sucesso? Conseguirá sustentar sua alquimia única, que fez dela uma das preferidas dos críticos e dos jurados de prêmios televisivos? Talvez, como indicou Heathcote, repetição não seja o caminho para isso.

“Sempre existe a questão de como honrar o que veio antes e ao mesmo tempo de como fazer algo novo”, ela disse.

Na primeira temporada, Eve vê sua vida virar de cabeça para baixo em função de sua obsessão pela sedutora Villanelle, que deixa uma trilha de cadáveres por onde passa.

Na segunda temporada —atenção: spoilers—, as duas se tornam colaboradoras na perseguição a um bilionário.

A abordagem de Heathcote na nova safra, disse, vem sendo “ir mais fundo com as duas personagens principais”.

“Houve uma evolução considerável na personagem Eve”, disse Oh, no camarim. “Tínhamos aquela pessoa ingênua sobre o mundo e sobre seu lugar nele. Na terceira temporada, ela está ciente das partes mais sombrias de sua personalidade, mas ganhou uma compreensão da vida a que aspirava.”

A ênfase na psicologia das personagens não significa que os elementos de suspense tenham sido abandonados.

Na nova temporada, disse Comer, o passado volta para incomodar Villanelle, que “está tendo de enfrentar seus demônios e suas emoções”.

Oh disse que o ambiente de pandemia a havia levado a pensar nas experiências dos personagens sob uma nova luz.

“As personagens centrais despertam para uma compreensão de sua falta de escolhas. E desta vez é mais fácil nos relacionarmos a isso por estarmos todos isolados e nos vermos forçados a pensar sobre os sistemas em que vivemos.”

Tradução de Paulo Migliacci

Killing Eve

  • Onde Duas primeiras temporadas disponíveis no Globoplay

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