Autor de 'Silêncio na Floresta' diz que boas tramas rendem uma só temporada

Minissérie baseada em obra de Harlan Coben foi uma das mais vistas no Reino Unido neste mês

São Paulo

Autor do livro que serviu de base para o roteiro da minissérie “Silêncio na Floresta”, Harlan Coben afirma querer passar aos espectadores a mesma sensação que os leitores têm com suas histórias de mistério.

Uma experiência "de devoção, de virar as páginas, de não poder largar [o livro], só que na tela”, diz, em entrevista por videoconferência. Essa atenção da audiência é recompensada por seriados que se resolvem em uma única temporada.

Coben, 58, supervisionou o roteiro, fez a produção executiva e aprovou os cortes finais de “Silêncio na Floresta”, disponível na Netflix brasileira.

A minissérie polonesa gira em torno do jovem Pawel Kopiński, papel de Grzegorz Damiecki, que supervisionou um acampamento de verão em 1994 no qual sua irmã e mais um colega desapareceram misteriosamente numa floresta.

Nos dias seguintes, os corpos de outros dois amigos da mesma turma foram encontrados ali, pondo um fim trágico às oníricas férias de verão.

O ator Grzegorz Damiecki no papel de Pawel Kopinski no seriado "Silêncio na Floresta", da Netflix
O ator Grzegorz Damiecki no papel de Pawel Kopinski no seriado "Silêncio na Floresta", da Netflix - Krzysztof Wiktor / Netflix

Vinte e cinco anos mais tarde, os acontecimentos traumáticos pareciam relegados ao passado. No entanto, a vida de Kopiński —agora um respeitado procurador em Varsóvia— é revirada com o descobrimento do corpo de uma vítima que parece estar ligada ao sumiço de sua irmã. Em paralelo, ele lida com o processo de luto desencadeado pela morte de sua mulher.

A trama é em parte baseada numa experiência de Coben. O americano conta que, aos 17, trabalhou como mentor num acampamento de verão, sendo encarregado da supervisão de “12 ou 13 crianças de dez ou 11 anos” junto a um outro mentor um pouco mais velho que ele.

“Eu não estava preparado para a tarefa, era muita responsabilidade. E se algo de errado acontecesse enquanto eu estava supervisionando? Assim tive a ideia [para o livro]. O que acontece na minha vida é tão entediante, então me pergunto ‘e se’ e tento fazer aquilo ficar mais emocionante.”

O romance de mesmo nome foi escrito no início dos anos 2000 e publicado em 2007, nos Estados Unidos. A primeira edição polonesa saiu no ano seguinte e teve oito reimpressões até agora. Mas a escolha do país para ser a locação da série se deu por razões contratuais, conta o autor.

“Assinei um contrato com a Netflix para fazer diversas adaptações em diversos países, então não se trata da Polônia especificamente.”

De seus 31 livros, 14 estão sendo transformados em série pela plataforma de streaming. Além de "Silêncio na Floresta", já estão disponíveis “Não Fale com Estranhos” e “Safe”, ambas rodadas no Reino Unido.

Uma característica dos seriados baseados na obra do autor best-seller —Coben vendeu mais de 75 milhões de livros em 44 idiomas, inclusive em português— é a brevidade. “Silêncio na Floresta” é contada do início ao fim em seis episódios e "Não Fale com Estranhos", em oito.

“Meu pacto com a audiência é a resposta. Não estou guardando nada para a segunda temporada", afirma. Só vale a pena estender uma história se a continuação for “tão boa quanto ou melhor do que a primeira temporada".

Segundo Coben, a Netflix não pressiona para que uma continuação de “Silêncio na Floresta” seja filmada, —mesmo que o seriado tenha ficado entre os mais vistos no Reino Unido por alguns dias de junho, como comemorou o autor em seu Twitter. Esse tipo de atitude vem em geral de canais de TV a cabo, diz, que querem o espectador ligado sempre em um mesmo horário de um mesmo dia da semana.

Em tom bem humorado, ele reclama que algumas pessoas lhe disseram que as atuações de "Silêncio da Floresta" não eram boas, ao que respondeu que era necessário assistir ao seriado no idioma original, com legendas, para apreciar o trabalho dos atores, que considera ótimo. Coben publicou até um vídeo numa rede social mostrando como ativar as legendas.

“Grande parte da graça é apreciar as atuações, as nuances, mas você não tem nada disso quando é dublado. Isso não é verdade só para as minhas séries de TV. Imagine ‘Parasita’ [filme sul-coreano vencedor do Oscar] dublado?"

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