Descrição de chapéu Obituário Alan Parker (1944 - 2020)

Alan Parker, diretor de 'Mississippi em Chamas' e 'Evita', morre aos 76 anos

Cineasta e roteirista britânico também esteve por trás de 'O Expresso da Meia-Noite' e 'Fama'

São Paulo

O cineasta britânico Alan Parker morreu na manhã desta sexta-feira (31), aos 76 anos, em Londres. A informação foi confirmada pelo British Film Institute, que afirmou que Parker lutava com uma doença não especificada.

“Nós estamos profundamente tristes por saber que o cineasta britânico Alan Parker morreu nesta manhã”, disse a instituição em nota publicada nas redes sociais. O diretor e roteirista esteve à frente do BFI de 1998 a 1999.

Entusiasta do cinema de seu país, Parker na verdade produziu alguns dos principais sucessos de sua carreira nos Estados Unidos. É o caso de “Mississippi em Chamas”, de 1988, em que Gene Hackman e Willem Dafoe interpretam dois agentes do FBI que investigam o desaparecimento de um grupo de ativistas pelos direitos civis no sul dos EUA.

O diretor britânico Alan Parker em 2010
O diretor britânico Alan Parker em 2010 - Filipe Redondo /Folhapress

Ele foi indicado ao Oscar pelo trabalho de direção no longa, mas perdeu para Barry Levinson, diretor de “Rain Man”.

Parker já havia concorrido à estatueta hollywoodiana uma década antes, com “O Expresso da Meia-Noite”, de 1978. Exibido no Festival de Cannes, o drama narra a história do escritor Billy Hayes, que foi preso na Turquia por tráfico de drogas durante a juventude. Na ocasião, Parker perdeu o Oscar para Michael Cimino, de “O Franco Atirador”.

O cineasta também tinha afinidade com a música. Ele dirigiu Madonna na adaptação do clássico musical “Evita” para o cinema, em 1996. Com canções do inglês Andrew Lloyd Webber, a produção mostrava a vida da primeira-dama argentina Eva Perón.

Ainda foi responsável por “Fama”, de 1980, que mais tarde fez uma bem-sucedida transição para os palcos ao acompanhar um grupo de adolescentes numa escola de artes cênicas de Nova York.

Em parceria com Roger Waters, dirigiu o clássico “Pink Floyd - The Wall”, de 1982. A produção foi criada a partir do álbum homônimo e venceu o prêmio do público de melhor filme estrangeiro no Festival Sesc Melhores Filmes.

Parker, inclusive, tinha uma relação de proximidade com o público brasileiro. Ele esteve no país diversas vezes. Em 2010, integrou o júri da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Na ocasião, disse, em entrevista a este jornal, que os filmes não o “enchiam mais tanto de prazer”.

“As coisas mudaram muito. Por 20 anos, pudemos fazer filmes pessoais e sérios, com bom público. Hoje não. Os filmes são apenas efeitos especiais, sem nada a dizer”, afirmou à época.

Mesmo sem nunca ter vencido o Oscar, Parker colecionou, ao longo da carreira, diversos prêmios Bafta, a maior honraria do cinema e da televisão britânicos. A primeira vitória foi com o filme para a TV “The Evacuees”, de 1975.

Nos anos seguintes, recebeu estatuetas pelo roteiro de “Bugsy Malone - Quando as Metralhadoras Cospem”, de 1976, e pela direção de “O Expresso da Meia-Noite” e de “The Commitments: Loucos pela Fama”, de 1991. O último título também lhe garantiu um Bafta de melhor filme.

A Academia Britânica de Artes do Cinema e da Televisão o homenageou em 2013, com um prêmio honorário por sua contribuição ao cinema.

Parker levou seus filmes a diversos festivais, como Berlim e Cannes. Em sua participação no evento francês de 1985, recebeu o prêmio do júri por “Asas da Liberdade”, sobre dois amigos que retornam da Guerra do Vietnã.

Na área de fomento ao cinema, além do trabalho à frente do BFI, Parker foi um dos fundadores do sindicato de diretores do Reino Unido e do UK Film Council, órgão criado em 2000 para promover o audiovisual no país. Ele deixa a mulher, Lisa Moran-Parker, cinco filhos e sete netos.

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