Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

'Teatro lotado já não se paga, como vai ser com 30% da plateia?', diz Denise Fraga

No Ao Vivo em Casa, atriz falou sobre projeto online no canal Eu de Você, dirigida pelo marido Luiz Villaça

São Paulo

A atriz Denise Fraga e o diretor Luiz Villaça participaram nesta sexta-feira (14) do Ao Vivo em Casa, série de lives criada pela Folha para o período de distanciamento social.

Fraga e Villaça conversaram com Marcella Franco, colaboradora deste jornal, sobre a série "Horas em Casa", que traz monólogos da atriz com reflexões sobre sentimentos e situações de confinamento.

O trabalho surgiu a partir de uma inquietude do casal, sobre como "esse denominador comum, o vírus, escancarou as diferenças [entre as pessoas], e é muito curioso o que cada um enfrenta, esse leque de enfrentamentos do mesmo problema", nas palavras de Fraga.

Segundo a atriz, a quarentena nos deu uma pista do que é uma atividade essencial. "Em tempos de crise, arte”, diz Fraga. "Se você está preocupado com o sofrimento do seu povo, incentive a arte, porque a arte nos ajuda a compreender os nossos dramas."

Ela brinca que "a arte te faz sofrer 'mais bonito', ela não vai te livrar do sofrimento, a lucidez não nos livra dos males —ela te dá companheiros", diz.

A série, produzida pela Café Royal e disponível no canal Eu de Você, no YouTube, é um exercício nesses tempos estranhos, resultado da inquietude de um grupo de artistas, segundo Villaça, diretor do programa e sócio da Café Royal.

"Horas em Casa" descreve relações e situações típicas do momento atual, de modo bastante intimista, o que causa identificação com quem assiste, nomeando sentimentos e reações. É dessa forma que, ao criar o projeto, os artistas pretendem usar a arte para estabelecer conexões entre as pessoas.

“O humor é um chamado ao pensamento. Quando você fala as coisas de forma bem humorada e com ironia você tá chamando a pessoa pela inteligência, porque ninguém ri daquilo que não entende. É uma forma de capturar alguém pela razão, pelo pensamento”, diz a atriz.

Segundo Fraga, o fenômeno das lives pode representar o surgimento de um novo formato de espetáculo, que não é teatro nem cinema. “Não substitui o teatro de maneira alguma, mas são brechas criativas para novas existências online”, diz. “O problema é que ainda não se entendeu como se cobrar, como ganhar dinheiro com esse formato.”

Villaça falou do momento político sensível que as artes vivem. "Infelizmente não é tocado do jeito que deveria ser, pelo contrário, ele é dificultado ao máximo", disse, lembrando a crise da Cinemateca Brasileira.

Sobre o pós-pandemia, Villaça diz que "o teatro, que foi um dos primeiro a parar, deve ser um dos últimos a voltar". E quando voltar, práticas de distanciamento devem entrar em prática, impactando as bilheterias e os orçamentos dos profissionais das artes cências.

"Se um teatro lotado já não se paga, eu fico imaginando como vai ser com 30% da plateia. Arte precisa de incentivo", diz Denise.

Criada por Cassia Conti, Denise Fraga, Luiz Villaça, Rafael Gomes e Silvia Gomez, a websérie conta com fotografia de Pedro Villaça e é toda gravada em casa. Os episódios são lançados aos sábados.

O canal, criado especialmente para o projeto, é homônimo da peça “Eu de Você”, também produzida pela Café Royal, dirigida por Villaça e apresentada por Denise no ano passado, em que a atriz interpretou sozinha histórias reais. Desse modo, a inspiração do novo projeto vem da adaptação do palco para o digital, mas com uma narrativa que reflete essa nova realidade.
ao vivo em casa denise fraga
Arte do Ao Vivo Em Casa com foto de Denise Fraga - Núcleo de Imagem

Todas as sextas, às 17h, a Ilustrada apresenta convidados do mundo das artes, entre músicos, cineastas, dramaturgos, escritores, estilistas, artistas plásticos e diretores de TV. As lives têm exibição tanto no site do jornal quanto no canal do jornal no YouTube.

As editorias de Turismo e Comida se revezam no horário, com bate-papos sobre o impacto da quarentena no mercado de viagens, mostrando os direitos do consumidor e o que deve acontecer depois do pico da pandemia.

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