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Cinema

Inofensivo, 'Pequeninos' é bom, mas carece de protagonistas femininas

Filme costarriquenho tem entretenimento leve, mas não chega a ser sublime, como às vezes parece almejar

Pequeninos

  • Quando Estreia no Brasil em 17 de dezembro
  • Onde Plataforma online Cinema Virtual
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Zay Brown, Emilio Castro e Joseph Castro
  • Produção Costa Rica, 2018
  • Direção Sergio Pucci
  • Link: https://www.cinemavirtual.com.br/
  • Duração 74 minutos

“Pequeninos”, que estreia agora, traz duas grandes lições. A primeira serve àqueles que gostam de contar histórias. Como prega a teoria literária e prova o longa costarriquenho, uma narrativa não precisa conter em si acontecimentos ou desfechos mirabolantes para ser considerada boa.

O segundo aprendizado é mais democrático —se presta a todos que já foram criança um dia. Dirigido por Sergio Pucci, e apoiado em historietas, o filme mostra que, ainda que guardemos variadas particularidades, na infância fomos todos muito parecidos.

Com pouco mais de uma hora, “Pequeninos” abre com “Lembranças do Meu Porto”. Seu protagonista é um garoto ávido por um copo de raspadinha no verão escaldante da Costa Rica.

Na tentativa de convencer o vendedor a oferecer a ele de graça a bebida, já que tudo o que carrega no bolso é uma moeda de valor quase nulo, ele se põe a abordar turistas à beira-mar para fazer o meio de campo entre produtor e consumidor.

Numa sequência tão convincente quanto angustiante, o menino corre com copos cheios de refresco colorido nas mãos, enquanto é ameaçado pela gigantesca balsa em que os turistas embarcam para ir embora da península e pelo vendedor, que desconfia que seja uma mentira a existência de quem vá realmente pagar por aquilo tudo.

“Despedidas” traz uma cadência menos interessante. Mostra a relação entre um garoto e um criador de passarinhos. As aves são mantidas engaioladas na garagem de casa, até que um acidente, provocado pela criança, muda o rumo de tudo.

“Cabana na Água” é uma ode à natureza, com imagens deslumbrantes guiadas só pelo som das águas e dos irmãos que, em silêncio, pescam os peixes que serão servidos no restaurante da família.

A direção acerta especialmente ao contrapor a luz da liberdade das crianças, soltas durante a manhã e a tarde, ao confinamento escuro à noite numa cozinha monocromática.

A história menos relevante é “Glória a Cartago”, não só pelo argumento esquisito, como também pela atuação da dupla de protagonistas. Disputam o posto de melhor conto “O Dia do Empurrão”, sobre um menino que se descobre ao participar da banda e do teatro da escola, e “Me Deixou”.

Este último tem os desempenhos mais marcantes, além de excelentes diálogos que retratam com fidelidade e humor as relações entre mães e filhos. “Amor de Temporada”, que o antecede, traz uma das mais belas imagens do filme, com uma nuvem de poeira encobrindo um menino que se apaixona pela primeira vez.

“La Mejenga” encerra e amarra a produção com uma partida de futebol na praia onde boa parte dos meninos das outras historietas se encontra. Pucci recorre com bom gosto a "leitmotivs", como as raspadinhas do começo e um saco de ovos caindo no chão.

Ainda que uma garota apareça ocupando lugar de destaque no final, é relevante lembrar que, além dela, o filme aposta em só uma outra protagonista, a irmã de “Cabana na Água”. O desequilíbrio e a ausência não passam despercebidos.

“Pequeninos” é, em resumo, um filme inofensivo. Tem entretenimento bom e leve, mas não chega a ser sublime, como às vezes parece almejar.

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