Museus do Rio decidem fechar por conta própria e citam 'bom senso'

MAM, Museu do Amanhã e MAR deixam de abrir a partir desta segunda (22) mesmo sem impedimento legal

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Rio de Janeiro

Os três principais museus de arte do Rio de Janeiro decidiram por conta própria fechar as portas por três semanas para tentar controlar a pandemia de Covid-19 que já matou quase 20 mil pessoas na cidade e quase 300 mil no país todo. A partir desta segunda (22), paralisarão suas atividades o MAM (Museu de Arte Moderna), o Museu do Amanhã e o MAR (Museu de Arte do Rio).

Não há, por ora, nenhum impedimento legal para que eles continuem funcionando. Em nota, os dirigentes das três instituições lembram que pouco mais de um ano atrás interromperam pela primeira vez as visitas, e que era hora de repetir essa dose diante do iminente colapso do sistema de saúde e de uma campanha de vacinação que segue a conta-gotas. "O momento exige coragem e bom senso."

"Em março de 2020 suspendemos o atendimento presencial ao público e implantamos o trabalho remoto em todas as atividades que poderiam ser feitas de casa ou pela internet. Desenvolvemos atividades online. Criamos nossos protocolos de segurança sanitária, observando todas as orientações das autoridades públicas, antes de reabrir as portas em setembro. Neste momento, entretanto, é necessário recuar", diz a nota assinada por Ricardo Piquet (Amanhã), Raphael Callou (Arte do Rio) e Fabio Szwarcwald (MAM).

À Folha Szwarcwald diz que, na avaliação interna, o medo maior não era o risco de contaminação para visitantes e funcionários dos estabelecimentos. "Apesar de acreditar que são um lugar seguro, até para quem trabalha lá, o deslocamento para chegar nos museus é complexo. Metrô, ônibus."

Outras instituições também pausarão o acesso ao público. A Casa Roberto Marinho suspendeu por duas semanas suas mostras, como uma da artista Maria Martins. O IMS (Instituto Moreira Salles) parou na semana passada e diz que assim permanecerá até pelo menos 30 de março.

Piquet, Callour e Szwarcwald dizem que medidas drásticas de fechamento deveriam ser coornenadas pelas autoridades públicas, e não atitudes isoladas. "Entretanto, não podemos nos omitir de tomar as decisões que nos parecem corretas e necessárias neste grave momento. Com o objetivo de preservar a saúde dos nossos públicos e dos nossos colaboradores, suspendemos todas as atividades presenciais novamente agora, exceto as essenciais para preservar o rico patrimônio artístico, arquitetônico e cultural que nos cabe guardar."

Na sexta (19), um decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro determinou a interdição das praias municipais. O prefeito Eduardo Paes (DEM-RJ) não descartou medidas mais severas a partir desta semana.

Paes e Cláudio Castro (PSC-RJ) se reúnem neste domingo (21) para decidir o que fazer diante da escalada de casos da doença. Uma hipótese é criar um feriado prolongado entre 26 de março e 4 de abril para tentar brecar a circulação de pessoas nas ruas —o que, por outro lado, não necessariamente aliviaria a barra para museus, que estavam funcionando com capacidade reduzida e poderiam virar "point" no feriadão.

O presidente da Associação de Supermercados do Rio, Fábio Queiroz, esteve no sábado (20) com Castro e disse que ele se posicionou contra o lockdown. O governador se reuniu com representantes do comércio, bares e restaurantes, supermercados, shoppings e hotéis do estado no Palácio Guanabara, sede do governo.

Enquanto os museus não reabrem, é possível ver algumas mostras em tour virtual —num giro 3D pelo MAM você se depara, por exemplo, com obras do artista plástico Hélio Oiticica. Entre as exposições temporariamente fechadas está "Coronaceno - Reflexões em Tempos de Pandemia", em cartaz do Museu do Amanhã, que amanhã não abrirá.

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