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Filme 'Os Arrependidos', sobre torturados na ditadura, vence festival É Tudo Verdade

Documentário de Ricardo Calil e Armando Antenore levou o prêmio de melhor filme brasileiro

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São Paulo

O documentário “Os Arrependidos", de Ricardo Calil e Armando Antenore, foi o vencedor da competição de longas brasileiros do festival É Tudo Verdade, o mais importante do gênero no país. Os prêmios foram entregues, neste domingo, dia 18, durante uma cerimônia realizada online por causa da pandemia.

É o segundo ano em que o vencedor retrata a resistência contra a ditadura militar brasileira. No ano passado, o vencedor do festival foi “Libelu”, sobre o grupo contra o regime militar que ajudou na retomada do movimento estudantil nos anos 1970. Já o ganhador deste ano apresenta a história pouco conhecida e documentada dos processos de mea-culpa de alguns militantes da luta armada no início dos anos 1970, o período mais violento da ditadura militar no Brasil.

A narrativa revela como alguns dos presos políticos cederam a pressões internas e externas e optaram pela autocrítica. O filme também radiografa o esquema de tortura e coação que levou essas pessoas a fazerem confissões públicas humilhantes.

A menção honrosa de melhor longa nacional foi para “Máquina do Desejo - 60 Anos de Teatro Oficina”, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro, que celebra o teatro paulistano comandado por Zé Celso.

Já na competição internacional, o vencedor foi “Presidente”, de Camilla Nielsson. A produção lança luz sobre o jovem e carismático líder Nelson Chamisa, no Zimbábue, que enfrenta nas eleições a velha guarda de Emmerson Mnangagwa e mostra como os partidos interpretaram os princípios democráticos, depois do país ser comandado por décadas de ditadura.

Nessa categoria, a menção honrosa foi para “Vicenta”, documentário feito a partir de animação de bonecos e produzido por Darío Doria. A história relata uma mulher que trava uma briga contra o Estado para garantir que sua filha deficiente, que engravidou após um estupro, tenha direito a fazer aborto legal na Argentina.

Entre os curtas, o premiado foi o brasileiro “Yaõkwa: Imagem e Memória”, de Vincent Carelli e Rita Carelli, sobre uma cerimônia do grupo indígena enawenê-nawê que tem como objetivo alimentar e apaziguar os espíritos.

Já “A Montanha Lembra” ganhou como melhor curta-metragem internacional e retrata o vulcão mexicano Popocatépetl a partir de diferentes pontos de vista, como dos camponeses e dos centros de controle de catástrofes.

Confira a lista completa de premiados abaixo.

Melhor longa ou média-metragem brasileiro
• "Os Arrependidos" (vencedor)
• "Máquina do Desejo - 60 Anos de Teatro Oficina" (menção honrosa)

Melhor curta-metragem brasileiro
• "Yaõkwa: Imagem e Memória" (vencedor)
• "Ser Feliz no Vão" (menção honrosa)

Melhor longa ou média-metragem internacional
• "Presidente" (vencedor)
• "Vicenta" (menção honrosa)

Melhor curta-metragem internacional
• "A Montanha Lembra" (vencedor)

Prêmio Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem
• "Yaõkwa: Imagem e Memória"

Prêmio Mistika
• "Yaõkwa: Imagem e Memória"

Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual
• "Ser Feliz no Vão" e "Máquina do Desejo - 60 Anos de Teatro Oficina"

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