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Televisão Maratona

Hugh Laurie interpreta um Dr. House menos antissocial em 'Roadkill'

Ator encarna político sem escrúpulos em minissérie britânica em que nenhum personagem é santo

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Roadkill

  • Onde Disponível no Skyplay
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Hugh Laurie, Helen McCrory, Olivia Vinall
  • Produção Reino Unido, 2020

Neste momento —no nosso país, especialmente—, em que estamos todos quase paralisados diante das evidências de incompetência, erros de julgamento e abuso de poder entre nossos políticos, vai ser até um alívio conhecer Peter Laurence, o ministro do Transporte do governo britânico interpretado por Hugh Laurie na série "Roadkill".

Inteligentíssimo, ultra-ambicioso e muito hábil, Peter acaba de ganhar uma causa na Justiça, contra um jornal que publicou denúncias de corrupção contra ele. Mas a principal testemunha da acusação, a repórter investigativa Charmian Pepper, papel de Sarah Greene —a Lorraine de "Normal People"—, muda sua história na última hora e livra a pele do político.

Laurence tem um quê de House, o personagem mais famoso da carreira desse ator britânico, que interpretou o médico iconoclasta e antissocial entre 2004 e 2012 na série de mesmo nome.

O político que ele encarna desta vez não é nada antissocial, pelo contrário, se sai muito bem em grupo, mas também tem um apreço todo especial por não levar sua vida de acordo com as normas da sociedade.

Libertário e conservador, Laurence diz isso com todas as letras num programa de rádio de que participa semanalmente, o Alltalk, junto com o apresentador Mick the Mouth. "As pessoas gostam de mim porque eu quebro as regras", afirma.

Mas, apesar de ter vencido a primeira batalha, é toda uma guerra que ele tem pela frente. Uma de suas duas filhas é flagrada por fotógrafos cheirando cocaína e transando com mais de um homem numa casa noturna de Londres, onde se passa a trama. Seu assistente pessoal, Duncan Knock, interpretado pelo escocês Iain De Caestecker, conta que uma detenta de uma prisão privatizada afirma que é sua filha. E seu caso secreto com uma bibliotecária corre o risco de ser descoberto.

Criado e roteirizado por David Hare, dos longas-metragens "As Horas" e "O Leitor", "Roadkill" se passa no intervalo entre o brexit e o começo da pandemia, de maneira que os problemas que o protagonista precisa enfrentar são unicamente seus. E ele os enfrenta usando todos os seus truques, do seu enorme carisma pessoal até as conexões com poderosos, passando pela suprema falta de caráter.

A história é centrada em Peter Laurence, mas o interessante da série é como as tramas paralelas são igualmente bem construídas e se interconectam de maneiras surpreendentes. Os personagens secundários também não são unidimensionais, não importa quão pequeno seja o papel de cada um.

E bem interpretados, por gente como a incrível atriz inglesa Helen McCrory, que morreu precocemente em abril deste ano de câncer, e que aqui é a primeira-ministra Dawn Ellison. Millie Brady, de "Orgulho, Preconceito e Zumbis", faz Lily Laurence, a filha baladeira do ministro. Pip Torrens, o Tommy Lascelles de "The Crown", dá vida a Joe Lapidus, editor-executivo do jornal onde trabalha a repórter investigativa que acaba mal.

E tem mais gente nesse time. Aliás, parece que todas as pessoas que Peter Laurence sacaneou em sua vida decidiram se vingar no mesmo momento. É divertido acompanhar como elas se revelam, enquanto outras atitudes duvidosas vão sendo tomadas por ele e por outros ao seu redor ao longo da trama.

Parece não haver limite para o que ele é capaz de fazer para se safar dos problemas e galgar um lugar no topo da pirâmide política. Mas não tem nenhum santo nesse roteiro, quase todos os personagens querem mais do que têm, e não medem esforços para conquistar o que desejam. E isso é muito interessante, principalmente quando acontece no país dos outros.

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