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Oceanos premia escritor do Timor-Leste, Edimilson e Gonçalo M. Tavares

Luís Cardoso levou o primeiro lugar com 'O Plantador de Abóboras', enquanto brasileiro ficou na segunda posição

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São Paulo

O escritor Luís Cardoso, do Timor-Leste, foi anunciado o vencedor do prêmio Oceanos deste ano pelo romance "O Plantador de Abóboras", publicado em Portugal pela Abysmo e ainda sem edição no Brasil. É a primeira vez que um autor da Ásia aparece entre os finalistas e vencedores.

O anúncio foi feito em cerimônia transmitida pelo Itaú Cultural em seu canal no YouTube nesta quarta. O prêmio de literatura em língua portuguesa paga R$ 120 mil ao primeiro colocado.

Cardoso —que fez 63 anos nesta quarta— ainda é um nome pouco conhecido no Brasil e, por enquanto, apenas o romance "Requiem para o Navegador Solitário" foi publicado no país, em 2010, pela editora Língua Geral. Em "O Plantador de Abóboras", seu sexto livro, ele arquiteta uma história atravessada pela violência que marcou o passado colonial do Timor-Leste.

Segundo Itamar Vieira Júnior, autor de "Torto Arado", colunista deste jornal e membro do júri, "é um romance que nos faz refletir que a história de uma personagem nunca é solitária – é uma história que carrega consigo a história de sua comunidade, de seu povo e, neste caso, a história de um país, o Timor-Leste".

Em segundo lugar ficou "O Ausente", da editora Relicário, de Edimilson Pereira de Almeida, que já venceu no final de novembro o prêmio São Paulo de literatura com "Front". Por esse livro construído em fluxo, em que nada está determinado, o autor recebe R$ 80 mil.

"O Osso do Meio" —Relógio D'Água em Portugal, também não publicado no Brasil—, do prolífico escritor português Gonçalo M. Tavares, ficou na terceira posição e levou R$ 50 mil. Tavares já venceu o Oceanos nos anos de 2007, por "Jerusalém", e 2011, com "Uma Viagem à Índia".

Criado em 2003, o prêmio era chamado Portugal Telecom até 2014. Neste ano, 1.835 livros publicados em dez países foram inscritos e analisados em três etapas.

Para a escolha dos vencedores participaram do júri, além de Vieira Júnior, os brasileiros Julián Fuks, Maria Esther Maciel e Veronica Stigger, a angolana Ana Paula Tavares e os portugueses António Guerreiro e Golgona Anghel.

Entre os finalistas estavam oito romances —entre os quais "A Tensão Superficial do Tempo", da Todavia, de Cristovão Tezza, e "O Avesso da Pele", da Companhia das Letras, de Jeferson Tenório—, um livro de contos —"Pessoas Promíscuas de Águas e Pedras", da Patuá, de Thais Lancman— e o livro de poemas "Inferno", da Assírio & Alvim, de Pedro Eiras.

O Oceanos é realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e conta com o patrocínio do Itaú, além de apoio institucional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP.

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