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Entenda a briga Johnny Depp e Amber Heard na Justiça, que entra na reta final

Ator acusa ex-mulher de difamação por um artigo que ela escreveu relatando ter sofrido violência doméstica

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São Paulo

A luta judicial entre Johnny Depp e a atriz Amber Heard inicia sua última semana nesta segunda-feira (23), quando o ator deve voltar a depor contra sua ex-mulher na corte do estado americano da Virgínia.

A ação judicial foi movida por Depp contra Heard, por difamação, a propósito de um artigo de opinião publicado por Heard no jornal The Washington Post em 2018. No texto, que não citava Depp nominalmente, ela relatava sua experiência como vítima de violência doméstica.

O ator Johnny Depp e a atriz Amber Heard, com quem ele foi casado até 2016 - Stefano Rellandini/Reuters

Depois de muitos adiamentos desde que o processo foi aberto em 2019, o julgamento começou em abril deste ano e gerou uma série de acusações mútuas entre os dois atores.

Um dos depoimentos esperados para esta semana é a da modelo britânica Kate Moss, que namorou Depp entre 1994 e 1997. Seu depoimento vai buscar esclarecer afirmações de Heard a respeito de um incidente doméstico entre Moss e Depp.

Na semana passada, foi exibido no tribunal um depoimento da ex-namorada do ator Ellen Barkin dizendo que ele era ciumento, controlador e agressivo. Em outro momento, Depp declarou que Heard cortou a ponta de seu dedo ao arremessar uma garrafa de vodca contra ele durante uma briga. Ele afirmou também que a ex-mulher o espancou em diversas ocasiões após consumir drogas e manipulou as fotos usadas como prova do abuso que ela diz ter sofrido.

O ator Johnny Depp durante o julgamento do processo que move contra a ex-mulher Amber Heard - Brendan Smialowski/Reuters

Depp também responsabilizou Heard por ter perdido seu papel mais famoso, o do capitão Jack Sparrow na franquia da Disney "Piratas do Caribe" —o que teria representado uma perda de US$ 22 milhões ao ator, segundo seu agente.

Em outro depoimento, a atriz afirmou que Depp a agrediu em um avião depois que ele a acusou de ter um caso com o ator James Franco, além de afirmar que o ex fazia uso contínuo de drogas e álcool, que o tornavam mais violento.

Entenda mais detalhes do caso desde o início das acusações que envolvem os dois atores.

O início das acusações

O imbróglio começou quando, em 2016, Johnny Depp foi acusado de ter cometido agressões domésticas contra Amber Heard em situações de abuso de drogas e álcool. No mesmo ano, com um acordo de US$ 7 milhões, saiu o divórcio do casal, que se conheceu no set do filme "Diário de um Jornalista Bêbado" em 2011 e se casou quatro anos depois.

Processo contra The Sun em 2018

As tensões se agravaram quando o tabloide britânico The Sun publicou, em 2018, o artigo intitulado "Como J. K. Rowling pode estar 'genuinamente feliz' escalando o espancador de esposa Johnny Depp no novo filme 'Animais Fantásticos'?".

O ator reagiu processando o jornal por difamação. No julgamento na Suprema Corte de Londres, em 2020, Depp reconheceu que sofreu um colapso nervoso em briga com a ex-mulher, mas negou todas as acusações de violência. Participando do julgamento, Heard então alegou que chegou a enviar mensagens para a sua mãe ao longo de um período de horas durante as quais Depp estava entorpecido pelo consumo de drogas e álcool.

"Ele é louco, mãe. Violento e louco. Estou com o coração partido por isso ser quem eu amo", disse ela em um dos textos apresentados no tribunal.

O ator perdeu o processo contra o jornal. Na decisão, o juiz afirmou "eu descobri que a grande maioria das alegadas agressões à senhora Heard pelo senhor Depp foram provadas dentro do padrão civil". Em decorrência do caso, o estúdio Warner, que produz os filmes da franquia "Animais Fantásticos", afastou o ator do elenco do terceiro filme da saga, derivada de "Harry Potter".

Julgamento atual

O novo julgamento ocorre após Depp ter aberto, em 2019, diretamente um processo contra Heard. O ator alega novamente difamação, agora motivada pela publicação de um artigo escrito por Heard no jornal The Washington Post. Nele, a atriz diz ser uma sobrevivente de violência doméstica.

Na abertura do processo, Depp pediu a Heard o valor de US$ 50 milhões —cerca de R$ 240 milhões— como contrapartida aos danos que as insinuações do artigo provocaram contra sua imagem. Em resposta, a atriz processou Depp em US$ 100 milhões —cerca de R$ 481 milhões.

No início do processo, a atriz comentou o julgamento em sua conta no Instagram. "Eu não cheguei a nomeá-lo [no artigo publicado no jornal]. Ao contrário, eu escrevi sobre o preço que mulheres pagam por falar contra homens no poder. Eu continuo a pagar o preço, mas eu espero que, quando esse caso acabar, eu possa seguir em frente, assim como o Johnny."

Em entrevista à revista Vanity Fair, porta-vozes de Johnny Depp afirmaram que o julgamento será a chance de redenção do ator frente à opinião pública.

​"O caso ter sido levado a julgamento é prova de que a corte reconhece o notável volume de evidências e testemunhas preliminares a favor de Johnny", disse um representante do ator ao veículo americano. "Perder a oportunidade de limpar o nome de alguém e permitir que outra pessoa tome vantagem do sistema para sair sem qualquer repercussão seria descuidado e abriria um precedente perigoso para casos semelhantes no futuro."

Com duração de seis semanas, que terminam nesta sexta, todos os procedimentos do caso foram televisionados.

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