Descrição de chapéu karl marx

Biógrafo quer apresentar Marx sem o emaranhado ideológico do marxismo

Pesquisador defende a importância do pensamento original do alemão para analisar a sociedade moderna

Flávio Moura

[RESUMO] No bicentenário de Marx, pesquisador lança livro em que decifra vida e escritos do pensador sem mergulhar no emaranhado ideológico associado a ele. Em entrevista à Folha, afirma que maior parte das biografias sobre o alemão contém erros e defende a importância de estudá-lo sem visões preconcebidas para analisar a sociedade moderna.

 

No discurso antes de ser preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que tinha deixado de ser uma pessoa para virar uma ideia. É cedo para medir o efeito da afirmação, mas isso certamente vale para Karl Marx (1818-83), cujo bicentenário é celebrado neste mês. O problema, no caso de Marx, é que essa ideia são duas: a primeira, aquilo que ele de fato escreveu; a segunda, o que fizeram de seu legado.

A Revolução Russa em 1917, as tentativas de revolução na Europa central, a tomada de poder por partidos comunistas no Leste Europeu, as revoluções na China e no Vietnã, os movimentos armados na América Latina nos anos 1960, a revolução cubana e a resistência ao apartheid na África do Sul, tudo isso foi atribuído aos ensinamentos do alemão.

No Brasil, é conhecida sua presença na disputa política. São efeitos de sua imensa influência a certeza nutrida pelos setores dogmáticos a respeito da superioridade moral da esquerda, bem como a ojeriza que lhe devota a fração ignorante da direita, estrilando à simples menção de seu nome. Nenhum dos lados, nem é preciso dizer, está preocupado com o que está na obra.

marx como fumaça de um fósforo
Ilustração de Karl Marx - Eloar Guazzelli

"No rescaldo de 1917 e da difusão global do comunismo de estilo soviético, Marx foi celebrado como épico fundador e legislador do comunismo, numa mitologia de proporções monumentais", lembra o biógrafo inglês Gareth Stedman Jones, autor de "Karl Marx: Grandeza e Ilusão" (Companhia das Letras).

Agora, em comemoração do bicentenário do alemão, a Boitempo lançará a biografia "Karl Marx e o Nascimento da Sociedade Moderna", cujo maior interesse está na exatidão com que decifra a vida e os escritos do pensador, sem mergulhar no emaranhado ideológico associado a ele.

Ou seja, é um estudo que busca o pensamento original de Marx —o que se pode encontrar em seus livros—, e não a ideia em que foi transformado ao longo de sucessivas gerações.

Sai agora em maio o primeiro de três volumes. O segundo está previsto para 2020, e o terceiro, para 2022. O livro inicial retrata o autor desde o nascimento, na pequena cidade de Trier, seus primeiros poemas, o noivado com Jenny von Westphalen, a virada de seus interesses para a filosofia, a mudança para Berlim e sua tese de doutorado, sobre os filósofos Demócrito e Epicuro.

Paramos em 1841 —antes, portanto, do "Manifesto Comunista" (1848) e de "O Capital" (1867); antes, enfim, do Marx que se conhece. E, contudo, é do mesmo Marx que se trata.

MARX EM 6 LIVROS

  1. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843)

  2. A Sagrada Família (1845)

  3. A Ideologia Alemã (escrito em 1846; publicado em 1932)

  4. Manifesto Comunista (1848)

  5. O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852)

  6. O Capital (3 volumes, publicados de 1867 a 1894)

O autor, o professor alemão Michael Heinrich, é um pesquisador criterioso. Ele integra o Projeto Mega, uma força-tarefa iniciada em 1975 para publicar a obra completa de Marx, incluindo cadernos de anotações e artigos de jornal.

A proposta é reconstituir com exatidão o texto original, sem acréscimos e edições a que foi submetido ao longo do tempo. Já saíram 65 volumes e, ao final da empreitada, serão 114, todos acompanhados de aparato crítico.

O ano de 2018 marca também os 170 anos do "Manifesto Comunista", seu texto mais popular, publicado em mais de cem idiomas. Feito sob encomenda, é um manancial de bordões clássicos ("Um espectro ronda a Europa: o espectro do comunismo", "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos"), mas não uma análise à altura de seus trabalhos teóricos. "O 'Manifesto' é pobre se comparado à obra posterior", diz Heinrich.

Uma nova edição do documento acaba de sair na Alemanha, com ensaio inédito do esloveno Slavoj Zizek (ainda sem previsão de publicação em português). Zizek é um filósofo hiperprodutivo, capaz de ser obscuro, confuso e brilhante na mesma frase. Seu texto, uma tentativa de atualizar o "Manifesto", reconhece a impossibilidade de tomar o argumento —a inevitabilidade da revolução comunista— ao pé da letra.

A noção tradicional de classe trabalhadora, como maioria explorada que produz a riqueza da sociedade, saiu do horizonte há tempos. Hoje, seria preciso levar em conta a pobreza extrema de fatias imensas da população, assim como os refugiados, num contexto de desigualdade que extrapola a relação entre capital e trabalho.

Zizek escreve: "A única forma de permanecer fiel a Marx hoje é abandonar o 'marxismo' e repetir o gesto fundador de Marx de uma nova maneira". Não se deve confundir o uso ideológico da figura de Marx pelas máquinas partidárias com o legado do pensador para a vida intelectual.

O filósofo esloveno é um nome forte da crítica contemporânea que dialoga com a tradição marxista. Assim como o inglês Perry Anderson, o norte-americano Fredric Jameson, o francês Alain Badiou, a argentina Beatriz Sarlo. No Brasil, parte da produção mais consistente nas áreas de filosofia, sociologia, economia e crítica literária das últimas décadas foi realizada em diálogo com a mesma tradição. Reconhecer isso é o primeiro passo para um debate de ideias digno do nome.

No fim dos anos 1950, em São Paulo, um grupo de intelectuais se reunia regularmente para ler "O Capital". Dentre eles, um jovem sociólogo chamado Fernando Henrique Cardoso. Muitos não entendem como alguém formado nessa tradição liderou um governo empenhado na modernização do capitalismo. Mas não há contradição nisso.

Marx dedicou a vida a compreender o funcionamento desse sistema e continua sendo um de seus principais intérpretes. Mergulhar a fundo em sua obra —como Heinrich explicita com clareza na entrevista a seguir— não é submeter-se a doutrinação, mas uma forma de entender o mundo em que vivemos.

 

Já existem 30 biografias de Marx. Por que fazer mais uma?

A primeira, de Franz Mehring (1846-1919), um dos líderes do Partido Social-Democrata na Alemanha, foi publicada há mais de cem anos. Desde então, descobriu-se muita coisa sobre a vida e o trabalho de Marx e apareceram diversos manuscritos durante o século 20.

Além disso, a maior parte das biografias contém erros. Elas interpretam as fontes de forma equivocada. Quando tomamos em consideração a obra de Marx, vemos que ela é uma série de começos, interrupções, novos começos e novas interrupções. Para entender isso, é preciso olhar para a vida dele. Ele teve conflitos políticos com amigos próximos e rompeu com essas pessoas por causa de ideias novas que concebeu. Sua vida é diretamente influenciada pelo trabalho.

Bruno Bauer (1809-82), por exemplo, foi seu aliado político mais próximo de 1837 a 1842. Era um teólogo hegeliano de direita. Depois, veio para a esquerda, adotou o ateísmo, virou radical político, rompeu com Marx. Em seguida, voltou para a direita e, por fim, abraçou o antissemitismo. É uma figura complexa, a ser olhada não apenas a partir das críticas que Marx lhe dirigiu.

Mikhail Bakunin (1814-76) foi também um amigo próximo. Depois romperam, e um dos motivos, creio, foi a semelhança entre a visão de Bakunin do anarquismo e a forma como Marx via o comunismo.

O subtítulo de seu livro é "O Nascimento da Sociedade Moderna". Por quê?

As biografias mais recentes de Marx, a de Jonathan Sperber, publicada em 2013 [2015, no Brasil, pela Amarilys] e a de Gareth Stedman Jones, em 2016 [2017, no Brasil, pela Companhia das Letras] afirmam que Marx é uma pessoa do século 19 e, portanto, suas ideias são limitadas àquele tempo.

Mas foi justamente naquele século que a Europa ocidental e os Estados Unidos viram o surgimento das fundações da sociedade moderna: a industrialização, o sistema político representativo, o telégrafo, a imprensa, as locomotivas a vapor. O conteúdo pode ter mudado, mas a estrutura —indústria, comunicação de massa— segue a mesma nos dias de hoje.

No prefácio do volume 1 de "O Capital", Marx escreve que o objetivo do livro é revelar a lei de funcionamento da sociedade moderna. E um dos motes desta biografia é analisar as mudanças em torno da ideia de "sociedade moderna" em sua obra.

marx atrás de prédios
Ilustração de capa da Ilustríssima - Eloar Guazzelli

​​Você afirma no livro que passou a ver Marx com outros olhos depois de concluída a pesquisa. Em que sentido?

Fiquei impressionado com a habilidade dele para aprender e a rapidez para rejeitar o que tinha feito. Aprendia algo novo e depois dizia que o trabalho anterior não prestava, mesmo se fosse um manuscrito de 500 páginas.

Um dos fundadores do Partido Social-Democrata Alemão, Wilhelm Liebknecht (1826-1900), era aluno de filologia. Marx discutiu com ele sobre Cervantes e lhe passou um carão quando descobriu que o amigo não sabia espanhol. Marx lia espanhol para seguir os acontecimentos políticos na Espanha. Quando tinha mais de 50 anos, aprendeu russo para acompanhar o noticiário de lá. Esse dado foi novo para mim, essa disposição radical para aprender.

No livro você nega a oposição entre o "jovem Marx", literário e filosófico, e o "velho Marx", cientificista. Por quê?

Descobri que não há continuidade entre as duas figuras, mas também não há uma ruptura. São muitas rupturas. Ele não era unidimensional. Trabalhava ao mesmo tempo em diversos campos do conhecimento. Mas o desenvolvimento em cada campo não era igual. Para entender o processo é preciso ir além das noções de continuidade e ruptura.

Como diferenciar a obra de Marx do marxismo?

É preciso ter em mente que Marx publicou em vida menos do que conhecemos hoje. No século 20, esses trabalhos foram publicados passo a passo, então cada geração de marxistas conhece um Marx diferente.

Lênin (1870-1924) e Rosa Luxemburgo (1871-1919), por exemplo, não conheciam escritos importantes dele. Não leram "A Ideologia Alemã" (1845), os "Manuscritos Econômico-Filosóficos" (1844), os "Grundrisse" (1858). Por diversos motivos, entre eles o controle que o Partido Comunista da URSS exercia sobre os escritos não divulgados de Marx, esses textos só foram publicados posteriormente.

O marxismo começou logo após a morte de Marx, nos anos 1880 e 1890, quando a social-democracia alemã, pelas mãos de Karl Kautsky (1854-1938), começou a tratar Marx e Engels como clássicos. E um clássico está completo, não tem mais nada a desenvolver.

Assim, começou um dogmatismo que demorou muito a ser combatido. Marx já antevia esse perigo, daí sua famosa frase ao genro, Paul Lafargue (1842-1911): "Eu não sou um marxista".

Há também uma frase dele, menos famosa, em resposta ao economista alemão Adolph Wagner (1835-1917), que via na teoria do valor um marco do sistema socialista de Marx. Marx respondeu de forma direta: "Eu nunca formulei um sistema socialista".

Claro que ele era socialista, mas negava ter feito um sistema. A tradição marxista quis afirmar o contrário.

No Brasil, voltou à moda associar a obra de Marx aos arroubos de Stálin e outros regimes totalitários. Como responde a essas críticas?

Isso é nonsense. Qualquer um pode dizer que é marxista e depois se tornar um assassino em série, mas daí a inferir que Marx produziu o serial killer vai uma grande distância. Inúmeras ações perpetradas em nome do socialismo não têm nada a ver com as ideias de Marx.

O jovem Marx, num de seus primeiros artigos, fez uma defesa aguerrida da liberdade de imprensa. Engels defendia o direito à discordância dos opositores do Partido Social-Democrata alemão. Os dois, Marx e Engels, eram defensores da democracia, tanto na sociedade como nos partidos socialistas e comunistas.

Na União Soviética, as coisas eram diferentes. Tudo começou com um partido não democrático que, ao atingir o poder, recriou um Estado igualmente avesso à democracia. Isso era contra as opiniões de Marx.

Faz sentido ler Marx e não ser de esquerda?

É importante ler Marx para entender estruturas básicas do capitalismo. Essas estruturas seguem atuantes. O conteúdo mudou, mas as formas sociais são estáveis, capitalistas. Precisamos de Marx para ter conhecimento básico.

Isso é aceito por economistas não marxistas. Joseph Schumpeter (1883-1950), por exemplo, nunca foi marxista, mas aceita os insights básicos de Marx em economia, independentemente de sua inclinação política.

Os liberais cultivam a noção de liberdade do indivíduo. A maioria acha que essa liberdade é ameaçada por regulações e restrições do Estado.

Em Marx e também na filosofia política de Hegel, o indivíduo só pode ser livre numa sociedade com estruturas que permitam essa liberdade. Não há oposição entre indivíduo e Estado ou entre indivíduo e sociedade, como creem os liberais. É o contrário: o indivíduo precisa da sociedade para se tornar livre.

Marx achava que a liberdade de cada indivíduo é a condição para a liberdade de todos os indivíduos. Em certo sentido, ele tinha uma visão individualista do comunismo. É interessante discutir com os liberais sobre as noções de liberdade e indivíduo que eles adotam e contrapor isso à obra de Marx.

Em 2018, comemoram-se também os 170 anos de publicação do "Manifesto Comunista". Qual a atualidade desse texto?

Não podemos achar que cada frase, cada artigo de Marx tenha qualidade eterna. O "Manifesto" foi importante para o seu aprendizado intelectual e para o movimento socialista, mas há enormes diferenças em relação a "O Capital", publicado 19 anos depois.

A análise do Estado burguês que ele faz no "Manifesto" é pobre. A noção aparece como um comitê da classe dominante, apenas isso. Em "O 18 Brumário de Luís Bonaparte", publicado apenas quatro anos depois, há uma análise mais detalhada da esfera política. Por quê? Porque agora Marx tinha a experiência da revolução de 1848, do fracasso daquele movimento, da influência do golpe de Estado do sobrinho de Napoleão.

O "Manifesto" é um documento histórico, não uma expressão clássica da teoria de Marx. Quando vemos os textos posteriores, fica claro o quanto ele ainda tinha a aprender.

Por que ler "O Capital" hoje?

No prefácio ao primeiro volume de "O Capital", em 1867, Marx escreveu que toda crítica científica é bem-vinda. Ele sabia perfeitamente que não estava dando a última palavra. Ele planejava, nos anos 1870, não apenas publicar os volumes 2 e 3, mas retrabalhar o primeiro.

Nunca houve um estágio acabado de sua teoria. Isso é fundamental. Ele defendia que um bom crítico deveria ser impiedoso. A nossa é a primeira geração capaz de fazer isso, com o projeto Marx-Engels-Gesamtausgabe —o Mega.

Pode falar mais sobre isso?

O projeto Mega é decisivo. Ele vai trazer tudo que resta. Desde 1975, quando o projeto começou, já foram 65 volumes. Ao fim do processo, serão 114, contando correspondência, cadernos de anotações e aparatos críticos.

Na primeira metade do século 20, era comum editar esses textos, completar as passagens inacabadas à maneira do autor. Isso é nonsense. Em 1932, "A Ideologia Alemã" foi publicada em Moscou em edição completamente modificada, o que gerou equívocos imensos. Sem os textos tais como imaginados pelo autor, não é possível um debate relevante.

Os manuscritos nem sempre trazem a data original. Às vezes temos que olhar o papel em busca de uma marca d'água ou cor da tinta para uma datação precisa. É um projeto de pesquisa grande, com equipe pequena, daí que já dure quatro décadas.

michael com camisa preta em frente a microfone
Michael Heinrich, cientista político alemão de 61 anos, é professor de economia da Universidade de Ciências Aplicadas em Berlim e editor da revista Prokla, especializada em ciências sociais críticas. Colabora com a instituição Mega-2, curadora dos manuscritos de Marx e Engels. - Divulgação

​​Bandeiras como as lutas identitárias e a sustentabilidade ganharam força nos movimentos de esquerda ao redor do mundo, por vezes em detrimento da luta de classes. Qual o papel de Marx para a esquerda hoje?

Há duas questões aí: uma coisa é a relação tal como ela é, e outra, bem diferente, que é como ela deveria ser. Há vários marxistas. Há quem fale muito em nome dele, mas não estudou sua obra e fica repetindo dogmas. Isso não é produtivo.

É preciso estudar Marx de forma crítica. A sustentabilidade, por exemplo. Em "O Capital", há pouco a respeito da questão ecológica, o que por vezes suscita críticas. Com o Mega, temos acesso a seus cadernos dos anos 1870, onde fica claro que ele queria incluir a questão ecológica de maneira mais ampla na reescrita de "O Capital".

É preciso ter em consideração não apenas os livros mas também os cadernos e manuscritos. E aceitar, claro, que nem tudo é relevante. Essa, a meu ver, deveria ser a relação dos grupos de esquerda hoje com Marx. Uma perspectiva científica e crítica. Mas isso é raro. A relação é superficial. Muita gente acha que ele explica tudo. Claro que isso não é verdade.

O crítico Slavoj Zizek afirmou num texto recente que ser leal a Marx hoje é deixar de ser marxista. Concorda com a afirmação?

É preciso antes entender o que ele quis dizer com "marxista". Lembro uma outra citação, do historiador austríaco Egon Friedell (1878-1938), que foi perseguido pelos nazistas e depois se suicidou. Ele disse certa vez: "Marxistas são pessoas que nunca entenderam Marx".

Eu concordo com Zizek nesse ponto. Para levar o legado do alemão a sério, é preciso criticar o marxismo, ou seja, a tendência a criar um dogmatismo, uma visão fechada de mundo. Por outro lado, é preciso levar em conta os insights científicos de Marx.

O sr. já veio algumas vezes ao Brasil e conhece política brasileira. O Partido dos Trabalhadores é um partido marxista nos moldes clássicos?

Sim, o PT é claramente inspirado pelo marxismo. Mas é preciso lembrar que o próprio Marx é apenas uma entre as muitas fontes do marxismo. Há uma tradição político-partidária que é diferente da tradição sindical, que por sua vez é diferente da tradição intelectual.

Os líderes desses partidos precisam atuar na sociedade burguesa, é assim em todo lugar. A questão é o grau com que se adaptam às exigências dessas sociedades. Alguns líderes se transformam completamente; outros, mudam pouco. Minha impressão é a de que, no caso de Lula e do PT, era necessário um ajuste para ter coalizão no governo, mas provavelmente houve erros nesse processo. 

 

Karl Marx e o Nascimento da Sociedade Moderna (vol. 1)

  • Preço R$ 69 (472 págs.)
  • Autor Michael Heinrich
  • Editora Boitempo
  • Tradução Claudio Cardinali

Flávio Moura, 39, jornalista e doutor em sociologia pela USP, é editor da Todavia.

Eloar Guazzelli, 55, é ilustrador, cartunista, diretor de arte e professor de animação na Faap.

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