Descrição de chapéu desemprego

Desemprego fica em 12,2% em janeiro, acima das expectativas

Pesquisa da agência Reuters apontava que a taxa ficaria em 12% no período

Pessoas procuram emprego no centro de São Paulo
Pessoas procuram emprego no centro de São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress
São Paulo

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12,2% no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (28).

Apesar de se manter estável em relação ao trimestre anterior (agosto a outubro), a taxa veio acima do previsto pelos analistas. A mediana das previsões em pesquisa da agência Reuters era de que ficaria em 12% no período.

Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando registrou 12,6%, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua mensal mostra que a taxa de desocupação ficou 0,4 ponto percentual menor.

Entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, o país tinha 12,7 milhões de pessoas desempregadas, contra 12,9 milhões no mesmo período do ano anterior.

Após alcançar 13,6% no trimestre de fevereiro a abril, o desemprego vinha acumulando quedas nos índices de maio a julho (12,8%) e de agosto a outubro (12,2%).

“O índice vinha caindo, mas agora houve essa estabilidade, interrompendo as duas baixas. É um movimento característico de janeiro, quando esse indicador tende a estabilizar ou até a subir”, explica o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Sobre o trimestre móvel anterior (outubro a dezembro), que registrou desemprego de 11,8%, houve alta.

"Não houve retenção plena de pessoas que foram contratadas para as festas de final de ano. Isso é normal. Só em momentos de boom e aquecimento é que os serviços, o comércio e as empresas seguram essas pessoas", explicou Azeredo.

"Se não fosse o período sazonal, a taxa deveria continuar caindo", completou, afirmando que a tendência sazonal deve provocar aumento da taxa até março, mas que o Carnaval em fevereiro foi forte para o setor e pode criar novo efeito de queda.

INFORMALIDADE ALTA

O emprego informal continua ditando a regra no mercado de trabalho, que mostra dificuldades de deslanchar após dois anos de recessão, mesmo em um cenário de inflação e juros baixos, com recuperação da atividade.

Apesar queda da taxa de desocupação na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o número de empregados com carteira assinada continua em baixa, recuando 1,7%. O grupo foi o único a cair nesse período.

O número de empregados sem carteira subiu 5,6%, e o de trabalhadores por conta própria, 4,4%. Essas categorias sustentaram o crescimento da população ocupada, que aumentou em 1,8 milhão de pessoas (2,1%).

“Por causa da crise econômica, o mercado não consegue impulsionar a criação de postos de trabalho de qualidade. Todo esse crescimento de 1,8 milhão de pessoas está apoiado em uma plataforma informal de trabalho”, disse Cimar.

A Pnad Contínua mostrou ainda que o rendimento médio do trabalhador foi a R$ 2.169 nos três meses até janeiro, sobre R$ 2.135 no mesmo período do ano anterior.

Reuters
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