Agricultores americanos apoiam o Nafta, diz ministro do México

Ildefonso Guajardo Villarreal participou da mesa 'A Maré está Mudando: Comércio Internacional em 2018'

Raquel Landim
São Paulo

O ministro de Economia do México, Ildefonso Guajardo Villarreal, afirmou nesta quinta-feira (15) que vem recebendo suporte de dentro dos Estados Unidos para a continuação do Nafta. 

Ele citou como exemplo o lobby agrícola, já que o México é o principal destino das exportações de alimentos dos americanos. 

“O Nafta não corre o risco de acabar. Obviamente os Estados Unidos são um parceiro muito importante, mas o acordo vai continuar mesmo que seja apenas com México e Canadá”, afirmou Guajardo durante um debate sobre comércio na edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial em São Paulo.

A pedido de Donald Trump, presidente dos EUA, o Nafta vem sendo rediscutido. Segundo o ministro mexicano, as negociações terminam em abril ou vão ter que esperar o fim do ano, por conta das eleições presidenciais no México em julho e das eleições parlamentares de meio-período nos EUA no fim do ano.

​Guajardo admitiu que as vagas no setor industrial estão migrando dos países ricos para as economias em desenvolvimento. “A maior parte dos mexicanos é favorável ao livre comércio, porque está criando empregos”, disse.

Nos últimos cinco anos, foram inauguradas seis novas fábricas de carros no México, que hoje emprega 1 milhão de pessoas na indústria automotiva. O Brasil também possui um acordo de livre comércio de veículos com o México.

Guajardo ponderou, no entanto, que essa migração dos empregos no setor industrial é inevitável. “No fim do dia, o México tem sido a solução para que os EUA competirem globalmente”, completou.

De acordo com o ministro mexicano, os EUA mudaram “radicalmente” depois da vitória de Trump, porque o governo passou a acreditar que o déficit comercial é necessariamente ruim.

Ele também afirmou que os políticos não estão conseguindo mostrar as vantagens do livre comércio à população.“Não é só o Trump  que está desafiando o livre comércio, mas parte da população americana”, disse. 

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