Taxa de investimento cai para 15,6%, a menor desde 1996

Antes, a mais baixa havia sido a de 2016, quando proporção dos investimentos no PIB foi de 16,1%

Trator empilha contêineres em pátio de porto seco em Anápolis, Goiás
Trator empilha contêineres em pátio de porto seco em Anápolis, Goiás - Pedro Ladeira - 11.mai.17/Folhapress
 
Mariana Carneiro Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A taxa de investimento recuou, em 2017, ao mais baixo patamar desde 1996, início da série histórica do IBGE, informou o instituto nesta quinta-feira (1º).

A proporção dos investimentos no PIB (Produto Interno Bruto) foi de 15,6%. Em 2016, a taxa havia sido a de 2016 (16,1%).

Os dados foram divulgados nesta quinta (1º) pelo IBGE, como parte do PIB, que fechou o ano em alta de 1%.

A queda no investimento é resultado do tombo na construção civil, que caiu 5% em 2017. Foi o quarto ano seguido de queda do setor.

"Uma parte importante da construção é pública e o investimento é uma das primeiras coisas que o governo corta", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. "Construção é coisa cara, tem a ver com infraestrutura, então é normal que demore um pouco mais para recuperar."

 
No acumulado do ano, os investimentos fecharam em queda de 1,8%. A queda da construção foi compensada parcialmente por aumento na demanda por máquinas e equipamentos. 
No quarto trimestre, o investimento cresceu 2% frente ao trimestre imediatamente anterior. Foi o segundo trimestre seguido de alta do indicador, que não apresentava resultado positivo. Neste período, a queda acumulada chegou a 30%.
 
A retomada tem sido impulsionada pelo crescimento da produção interna, que cresceu 3% no ano. 
 
De acordo com a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), porém, a recuperação ainda é restrita a investimentos em manutenção e modernização do parque industrial, que permanece com elevados índices de ociosidade.
 
"Mesmo com ociosidade, o empresário percebe que precisa investir para ganhar competitividade", comentou o presidente da entidade, José Velloso.
 
Ele espera que as vendas do setor cresçam pelo menos 5% em 2017, mas não vê ainda retomada forte dos investimentos no país.
 
"Com teto de gastos, o governo não pode investir. E as grandes empresas, que têm contribuição com o investimento, estão muito endividadas e desinvestindo", comenta Velloso.
 
A taxa de poupança ficou em 14,8%, acima da do ano passado (13,9%), com efeitos da liberação das contas inativas do FGTS. "Parte das pessoas foi gastar, o que influenciou o consumo das famílias, mas parte decidiu poupar", disse Palis.
 
 

INDÚSTRIA

A indústria registrou alta de 0,5% no trimestre e fechou o ano com estabilidade em relação ao ano anterior. Desde 2013, a indústria vem registrando quedas. 
 
A indústria de transformação fechou o trimestre com crescimento de 1,5%, acumulando alta de 1,7% no ano, a primeira depois de três anos de queda. O resultado foi impactado pelas indústrias automobilística e de máquinas e equipamentos. 
 
A indústria extrativa, que reúne as indústrias do petróleo e da mineração, recuou 1,2% no quarto trimestre, mas fechou o ano em alta de 4,3%, beneficiada pela alta dos preços das commodities.
 
"A extrativa foi um destaque positivo, puxada tanto pelo crescimento do setor de petróleo quanto pelo do minério de ferro", afirmou Palis.
 
 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.