Persio Arida nega intervenções populistas em um governo Alckmin

Coordenador econômico do PSDB descarta programa com recursos públicos para reduzir desemprego

Economista Persio Arida será responsável pela área econômica do projeto de governo de Geraldo Alckmin
Economista Persio Arida será responsável pela área econômica do projeto de governo de Geraldo Alckmin - Pedro Ladeira/Folhapress
Flavia Lima
São Paulo

O coordenador econômico da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência, Persio Arida, descartou, nesta quinta-feira (10), o que qualificou como “intervenções populistas” em um eventual governo Alckmin, nos moldes de um programa com recursos públicos para reduzir o desemprego. 

“Se tentar ser populista, sabe o que vai acontecer? Quem iria votar nele [Alckmin] diria que isso é falso e mentiroso porque não é isso que ele pensa e também não vai convencer os outros”, disse em evento da Câmara de Comércio Brasil-França. 

Questionado se há preocupação da candidatura em se comunicar com o povo, o que, segundo críticos, faltaria ao PSDB, Arida reconheceu a sua pouca intimidade com a estratégia. 

“Preocupação [em responder às demandas do povo] eu tenho, competência [na comunicação] me falta”, disse, ao ressaltar que a arte da comunicação é uma “arte diferente da gestão econômica”. 

Arida disse ainda que é possível passar à sociedade uma mensagem de responsabilidade e modernização sem populismo, e citou como exemplos a eleição de Mauricio Macri, na Argentina, e Emmanuel Macron, na França—ambos políticos da centro-direita. 

PACIÊNCIA PRA AGUENTAR CONVERSA CHATA 

Avaliando o processo eleitoral brasileiro, Arida disse que a fragmentação partidária vai persistir e a renovação política terá pouco fôlego. 

Isso significa, afirmou, que qualquer presidente eleito terá minoria no Congresso, o que vai exigir capacidade de negociação política para aprovar as reformas mais importantes no primeiro ano, em que o capital político do eleito é alto. 

Arida disse ainda que o descrédito da classe politica pode levar a outro erro: a eleição de um outsider, “sem paciência pra tomar cafezinho e aguentar conversa chata”, disse. 

TENTATIVAS DE FIXAR CÂMBIO DERAM ERRADO 

Arida disse também que pretende discutir se vale a pena reduzir a meta de inflação em 2021 e defendeu o regime de câmbio flutuante. 

A meta de inflação é de 4,5% neste ano, cai para 4,25% no ano que vem, chegando a 4% em 2020. 

Em crítica direta ao candidato Ciro Gomes (PDT), Arida disse que todas as tentativas de fixar uma banda para o câmbio nominal para estimular a competitividade deram errado. 

A defesa desse tipo de política é feita, por exemplo, pelo economista Nelson Marconi, conselheiro de Ciro. 

“Intervenções tópicas é assunto de gestão do Banco Central”, disse ele, ao elogiar a equipe do presidente do BC, Ilan Goldfajn, e ressaltar a intenção de Alckmin de mantê-lo no posto. 

TETO DE GASTOS É IMPORTANTE, MAS NO CURTO PRAZO

Entre as reformas que precisam ser aprovadas no primeiro ano de governo, Arida citou a da Previdência, se comprometendo a zerar o déficit público em dois anos. 

Segundo ele, o déficit primário perto de 3% do PIB mostra que uma das pernas do tripé econômico está manca e, nesse sentido, olhar o que acontece com Argentina, que encara uma grande crise cambial e fiscal, serve como exemplo. 

Ele falou ainda que a regra que impõe um teto para os gastos públicos é importante no curto prazo porque força a encarar a realidade. 

“Mas no longo prazo, se tem que pensar que, no fundo, o que faz a estabilidade fiscal do país é a responsabilidade do governante, não a regra A ou B. 

Para Arida, o Brasil falhou na promoção da educação básica e fundamental, mas prevê que é possível avançar 50 pontos no Pisa —programa internacional de avaliação de estudantes— em oito ou nove anos. 

O feito, disse ele, adicionará 1 ponto percentual no PIB, permitindo ao país sair de um nível de crescimento de 2% pra 4% ou 5%. 

Ele disse ainda que um futuro governo Alckmin não deve privatizar Petrobras ou Banco do Brasil, mas defendeu que se conclua a operação da Eletrobras. “O resto não vou falar”, afirmou. 

Afirmou ainda que investimentos virão do setor privado brasileiro e estrangeiro e avisou: “Dinheiro público pra investimento não tem e não terá”. 

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