Descrição de chapéu Montadoras

Reino Unido proibirá maioria dos carros híbridos, incluindo o Prius, em 2040

Veículos perderam a característica de 'ecológicos' em plano de reduzir a poluição

Toyota Prius, híbrido gasolina-eletricidade que será proibido no Reino Unido a partir de 2040
Toyota Prius, híbrido gasolina-eletricidade que será proibido no Reino Unido a partir de 2040 - Divulgação
Peter Campbell Jim Pickard
Londres

Os carros híbridos que dependem de motores tradicionais, como o Toyota Prius, serão proibidos a partir de 2040, segundo planos de combate à poluição do ar que estão sendo preparados pelo governo do Reino Unido e tirarão de circulação até 98% dos veículos que ocupam as vias do país hoje.

Veículos como o Prius, o carro híbrido mais vendido do Reino Unido, perderão a classificação de veículos "ecológicos", sob a qual poderiam continuar a ser vendidos, de acordo com três pessoas informadas sobre os planos do governo para enfrentar o problema das emissões de poluentes e da qualidade do ar.

A terminologia exata das regras ainda está em processo de consulta entre diferentes áreas do governo, com os departamentos do Transporte, Meio Ambiente e Negócios negociando a redação do documento final, disseram as pessoas envolvidas.

Os planos contam como apoio dos secretários do Ambiente, Michael Gove, e dos Negócios, Greg Clark. Mas Chris Grayling, o secretário do transporte, cujo distrito eleitoral abriga a sede da Toyota no Reino Unido, está resistindo às limitações propostas.

Um porta voz do Departamento do Transporte disse que "é categoricamente falso que o governo esteja planejando proibir a venda de carros híbridos no Reino Unido a partir de 2040".

Em julho de 2017, o governo delineou planos para proibir a venda de todos os carros "convencionais" a partir de 2040. Mas a terminologia vaga gerou confusão entre as montadoras, porque não estava claro se carros que usam baterias e motores convencionais ao mesmo tempo seriam permitidos.

O novo documento tem por objetivo esclarecer a posição do governo e delinear como este pretende promover uma elevação na demanda pública por veículos elétricos, daqui até a data da proibição.

Três pessoas envolvidas no processo decisório disseram que as regras propostas limitariam os carros zero-quilômetro autorizados para venda a modelos capazes de percorrer pelo menos 80 quilômetros usando apenas energia elétrica.

A mudança tiraria de circulação 98% dos veículos atualmente vendidos no Reino Unido e requereria que os fabricantes mudassem suas linhas de produção para montar veículos cuja forma predominante de propulsão sejam baterias —ainda que estes talvez sejam autorizados a contar com motores auxiliares a gasolina, como reserva ou apoio.

Os carros plug-in, que contam com grandes baterias e um motor tradicional, também serão permitidos, se bem que a terminologia exata quanto a esse tipo de veículos ainda não tenha sido esclarecida, de acordo com quatro pessoas informadas sobre os planos do governo.

Existem diversos tipos de veículos híbridos, do Prius, que usa propulsão elétrica e a gasolina simultaneamente a veículos plug-in capazes de percorrer distâncias significativas usando apenas suas baterias.

As vendas de carros novos caíram em 8,8% no Reino Unido, até agora neste ano, o que levou a centenas de demissões na Jaguar Land Rover e na Nissan, as duas maiores montadoras de automóveis do país, e a cortes de postos de trabalho em centenas de concessionárias de automóveis.

O setor atribuiu a culpa por isso ao menos em parte à confusão do público quanto à política do governo sobre a proibição de determinados veículos no futuro.

"Não há como apoiarmos ambições que não levam em conta como a indústria, o consumidor ou o mercado operam e que não se baseiam nem em fatos nem em substância", disse Mike Hawes, presidente da SMMT, uma organização setorial das montadoras de automóveis britânicas.

"Metas irrealistas e mensagens confusas quanto a proibições só solaparão nossos esforços para concretizar esse futuro, confundindo os consumidores e gerando caos no mercado de carros zero, e para os milhares de empregos que este gera."

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Financial Times
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