Economista de Alckmin descarta 'grande tranco' para ajustar a economia

José Roberto Mendonça de Barros diz que a reforma da Previdência é inevitável

Alexa Salomão Fernando Canzian
São Paulo

O economista José Roberto Mendonça de Barros, um dos formuladores do programa do pré-candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB), afirma que não será necessário nesta campanha prometer "apenas sofrimento, sangue, suor e lágrimas" para depois colher os benefícios de um ajuste.

"Não acho que seja o caso primeiro de dar um grande tranco para depois voltar a crescer", disse à TV Folha.

Inflação e taxa Selic em níveis baixos combinadas a uma situação externa confortável permitiriam, diz, fazer reformas como a da Previdência e a tributária em um ambiente de crescimento.

Reformas

O mais importante é retomar o crescimento sustentável que possibilite a inclusão social. Imaginamos que seja possível em dois anos ter como ambição zerar o déficit primário. Não será exatamente simples.

Para isso, algumas coisas terão de ser feitas, como a redução de benefícios fiscais que, em boa parte, não são reavaliados. Ficam na paisagem, mas não trazem consequências positivas.

A reforma da Previdência é inevitável. Por justiça, porque as regras são diferentes para determinados grupos, e porque temos de reconhecer que todos nós estamos vivendo mais.

Outra é a tributária, que se imagina logo na partida. Está aceito que precisamos criar um imposto sobre valor adicionado cobrado no destino que incorpore e substitua cinco ou seis desses impostos que estão ai.

Independente da parte fiscal, é preciso que os custos das empresas sejam reduzidos, sem que isso seja resultado de subsídios e favores.

Tem muito empresário que passa mais tempo em Brasília do que buscando melhorar a tecnologia da empresa.

O candidato à Presidência Geraldo Alckmin e o economista José Roberto Mendonça de Barros (à esquerda) - Zanone Fraissat/Folhapress

Cenário

Apesar de toda a neblina e tumulto, a inflação está baixa.

A taxa Selic é a menor desde que esse sistema existe e temos uma posição externa robusta.

Com isso e a proposição de que haverá reformas para trazer de volta o crescimento, isso torna menos doído o ajuste.

Existe a possibilidade de começarmos a crescer e simultaneamente ir fazendo os ajustes e as reformas.

Não acho que seja o caso primeiro de dar um grande tranco para depois voltar a crescer. E acho que isso é muito realista e seria perfeitamente entendido.

Depois, o sucesso inicial alimenta o resto, desde que se tenha a convicção de que isso está baseado em mudanças relevantes.

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