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Não é tão simples privatizar a Petrobras, diz economista do candidato João Amoêdo

Gustavo Franco citou a Embrapa, que poderia ser transformada em agência

Flavia Lima
São Paulo

Após dizer que nenhuma empresa estatal brasileira é estratégica o suficiente, o economista Gustavo Franco, coordenador do programa econômico do candidato João Amoêdo, do Partido Novo, afirmou nesta quinta (16), que privatizar a Petrobras “não é tão simples assim”. 

“Depois de dividir a empresa, conforme estudos, é provável que vários pedaços sejam privatizados, outros não", disse Franco, ao discorrer sobre o que será feito caso o candidato João Amoêdo seja eleito. 

Franco falou em evento de O Estado de São Paulo e a FGV (Fundação Getulio Vargas), com economistas dos candidatos.

 
Economista Gustavo Franco, que está coordenando a parte econômica da campanha política de João Amoêdo
Economista Gustavo Franco, que está coordenando a parte econômica da campanha política de João Amoêdo - Danilo Verpa/Folhapress

Fora do radar das privatizações, Franco citou a Embrapa, que, segundo ele, talvez pudesse ser transformada em agência. 

Por outro lado, os Correios, poderiam ter sua dívida transferida para o governo antes de serem vendidos. A Eletrobras estaria pronta para ser privatizada, assim como o Banco do Brasil, aumentando a competição no sistema bancário. 

“Isso em benefício de nós todos, regularmente maltratados pelo sistema financeiro”, afirmou. 

Já com relação à Caixa Econômica Federal, o banco poderia se desligar do FGTS, disse Franco, ser listado em bolsa e, mais fortalecido, ter o controle vendido por um preço melhor.

“Privatizar é bom, mas não necessariamente pra fazer caixa. No caso do saneamento, o recurso pode ir para financiamento do setor”, disse. 

SIMPATIA PELO SIMPLES

“Tenho simpatia pelo Simples”, disse nesta quinta (16) o economista Gustavo Franco, quando foi questionado se o programa de renúncia tributária a pequenas e médias empresas não iria contra a ideia central do Partido Novo—segundo a qual os empreendedores buscam menos intervenção do Estado. 

Segundo Franco, o cálculo do tamanho da renúncia fiscal do programa é questionável. “Sem o Simples, essas empresas estariam no ‘complicado’ e, se tivessem que pagar o ‘complicado’, elas não existiram. 

Para ele, o teto do Simples é alto —o programa engloba empresas com receita anual de até R$ 4,8 milhões— porque o que há depois disso é um “precipício”. Franco disse que há um tanto de “mitologia” no cálculo do tamanho da renúncia fiscal do Simples. 

Franco afirmou que o Partido Novo é contra a tributação de lucros e dividendos —algo defendido pela maioria dos candidatos—e que não está convencido  de que a tabela do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) precise de correção.

Ele criticou o aumento de 16,3% aprovado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e sugeriu uma reforma do Estado que acabe com a estabilidade do funcionalismo. 

Criticou também um super ministério da Economia, como defende o candidato Jair Bolsonaro (PSL), porque não mexeria “com o que está embaixo desses ministérios”. 

Afirmou que, se eleito, Amoêdo manteria Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central. “Ele já foi convidado”, disse.

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