Para Fórum Econômico, Brasil está longe da fronteira da competitividade

País caiu três posições no ranking e ocupa pior posição entre os Brics

Clóvis Rossi
São Paulo

O Brasil caiu três posições no Ranking Global de Competitividade do Fórum Econômico Mundial, foi para o 72º lugar entre 140 países (ou seja, na parte de baixo da tabela) e, pior, fica longe do que o Fórum chama de ”fronteira da competitividade".

É um conceito que mede, basicamente, a preparação de um país para o futuro, ”em um mundo que está sendo crescentemente transformado pelas novas tecnologias digitais". Mede também a maneira como cada país lida com seu capital social e com suas preocupações com a dívida, entre outros indicadores e outros avanços tecnológicos.

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Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial - Xu Jinquan - 2.out.2018/Xinhua

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum, antevê uma nova divisão global, que seria ”entre países que entendem as transformações inovadoras e aqueles que não o fazem". Acrescenta: ”apenas aquelas economias que reconheçam a importância da 4ª Revolução Industrial serão capazes de expandir as oportunidades para seus povos".

A 4ª Revolução Industrial é o mantra que o Fórum usa para caracterizar a economia que incorpora os avanços tecnológicos, como, a robotização e a inteligência artificial.

A colocação do Brasil no índice de competitividade demonstra claramente que o país não está sendo capaz de incorporar a 4ª Revolução Industrial (tema, de resto, que nem remotamente apareceu na campanha eleitoral).

A posição brasileira é ruim qualquer que seja o recorte que se faça do ranking.

Entre os Brics, por exemplo, é o de pior colocação, com o seu 72º posto. A China é a melhor dos cinco integrantes, mas, mesmo assim, é apenas a 28.a colocada, bem longe dos Estados Unidos, o primeiro do ranking.

Índice 4.0 de competitividade global - TOP 10 e BRICS 

POSIÇÃO/PAÍS NOTAS

DISTÂNCIA DA FRONTEIRA DE COMPETITIVIDADE

1º ESTADOS UNIDOS 85,6 14,4
2º SINGAPURA 83,5 16,5
3º ALEMANHA 82,8 17,2
4º SUÍÇA 82,6 17,4
5º JAPÃO 82,5 17,5
6º PAÍSES BAIXOS 82,4 17,6
7º HONG KONG 82,3 17,7
8º REINO UNIDO 82 18
9º SUÉCIA 81,7 18,3
10º DINAMARCA 80,6 19,4
28° CHINA 72,6 27,4
43º RÚSSIA 65,6 34,4
58º ÍNDIA 62 38
67° ÁFRICA DO SUL 60,8 39,2
72º BRASIL 59,5 40,5

Fonte: Fórum Econômico Mundial

Depois, vem a Rússia (43º), a Índia (58º) e a África do Sul (67º).

Na América Latina, região em que é a maior economia, o Brasil perde para Chile (33º), México (46º), Uruguai (53º), Colômbia (60º), Peru (63º) e Panamá (64º).

Para complicar ainda mais, os sócios do Brasil no Mercosul, com exceção do Uruguai, ficam em posição ainda pior: a Argentina (81º) e Paraguai (95º). Significa que o bloco em que o Brasil é o país mais importante tem sérios problemas de competitividade, o que naturalmente afeta o interesse dos investidores estrangeiros.

O ranking mapeia o panorama de competitividade de 140 países por meio de 98 indicadores, divididos em 12 pilares. Os Estados Unidos obtêm o melhor resultado (85,6), à frente de Cingapura e Alemanha.

O placar médio para o mundo é 60, ligeiramente acima dos 59,5 obtidos pelo Brasil.

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