Petrobras lucra R$ 6,6 bilhões no terceiro trimestre

Resultado foi parcialmente impactado por acordos para encerrar investigações

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

Apesar de impacto negativo de acordo feito para encerrar investigações sobre corrupção nos Estados Unidos, a Petrobras registrou lucro de R$ 6,6 bilhões no terceiro trimestre de 2018, alta de 2.397% com relação aos R$ 266 milhões do mesmo período do ano anterior. 

No ano, a empresa acumula lucro de R$ 23,6 bilhões, o melhor resultado em nove meses desde 2011 e 371% a mais do que nos nove primeiros meses de 2017. 

Segundo a companhia, o desempenho reflete melhores margens com a exportação de petróleo e com a venda de derivados no mercado interno, com o aumento dos preços dos combustíveis, impulsionadas pela alta das cotações internacionais e pela desvalorização cambial. 

Por outro lado foi prejudicado por acordo de R$ 3,5 bilhões para encerrar investigações sobre corrupção nos Estados Unidos. Sem os gastos com os acordos, disse o presidente da estatal, Ivan Monteiro, o lucro nos nove meses chegaria a R$ 28 bilhões. No trimestre, seria de R$ 10,2 bilhões. 

No terceiro trimestre, a Petrobras vendeu gasolina pelos maiores preços desde que começou a praticar reajustes diários, em julho de 2017. Nas últimas semanas, tem acompanhado as cotações internacionais e reduzido os preços. Nesta terça (6), suas refinarias vendem o combustível a R$ 1,7293 por litro, o menor valor desde 20 de abril.

Com o início do programa de subvenção sobre o diesel no fim de maio, conseguiu também recuperar mercado nas vendas desse combustível, em que vinha enfrentando competição de importadores privados. No terceiro trimestre, foi responsável por 93% das vendas de diesel no país. Em janeiro, eram 65%.

A receita da empresa no terceiro trimestre foi de R$ 98,2 bilhões, alta de 36,7% na comparação  com os R$ 71,8 bilhões do mesmo período de 2017. A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações cresceu 55,2%, para R$ 29,8 bilhões.

Com os melhores resultados, a Petrobras decidiu dobrar, para R$ 1,3 bilhão, o volume de dividendos a seus acionistas nesse trimestre - nos dois anteriores, foram R$ 630 milhões. Monteiro disse que o aumento é possível pela redução de incertezas sobre o balanço da empresa após os acordos com investidores e com autoridades norte-americanas.

O endividamento líquido da Petrobras ficou em R$ 291,8 bilhões ao fim do trimestre, alta de 4% em relação ao verificado no início do ano, provocada pela elevação do dólar frente ao real. Em dólares, a dívida líquida caiu de US$ 81,4 bilhões para US$ 72,9 bilhões no mesmo período. A meta é chegar ao fim do ano em US$ 70 bilhões.

A relação entre endividamento e geração de caixa chegou a 2,96 vezes, contra 3,67 vezes ao fim de 2017. Desconsiderando o pagamento dos acordos, é de 2,66 vezes, quase na meta de 2,5 vezes estipulada pela estatal.

O resultado foi obtido mesmo com atrasos no plano de venda de ativos, que só arrecadará um terço dos US$ 21 bilhões (R$ 78,7 bilhões, ao câmbio atual) previstos. Monteiro admitiu que a meta não será cumprida mas disse que a alta do petróleo e do dólar, aliada a melhorias de gestão, vem compensando a frustração na entrada de recursos.

 
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