Descrição de chapéu Previdência

Dimensão da reforma da Previdência está correta, diz presidente do Itaú

Banco deve revisar para baixo previsão de crescimento do PIB para 2019

Tássia Kastner
São Paulo

O presidente do Itaú, Candido Bracher, afirmou que a dimensão da reforma da Previdência colocada na minuta divulgada na segunda-feira (4) está correta, ainda que essa não seja a proposta final do governo Bolsonaro.

“Eu tenho dito que é acredito que estamos diante de uma situação binária em relação a aprovar ou não a reforma a Previdência. Se o governo aprovar uma reforma que tenha o tamanho da que está no Congresso, teríamos anos de crescimento sustentado”, afirmou o executivo.

Nesta segunda foi divulgado que a reforma da Previdência imporia idade mínima igual para homens e mulheres, de 65 anos. O benefício integral dependeria de 40 anos de contribuição. 

Presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher
Presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher - Marcelo Chello/Folhapress

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), afirmou que esse texto não deve ser o final e que o homens e mulheres não devem ter idades iguais para aposentadoria.

“Pelas declarações do Onyx, não está claro que essa será a reforma do governo. É uma minuta que está sujeita a alterações”, disse Bracher.

O presidente afirmou ainda que o equilíbrio econômico do país está baseado na expectativa de que a reforma aprovada tenha a capacidade de interromper o crescimento da relação dívida/PIB.

É o otimismo com a reforma que tem feito a Bolsa subir e se aproximar dos 100 mil pontos, mas uma frustração da expectativa teria potencial de levar a uma perda ainda mais expressiva que a alta até aqui prevista, segundo o presidente do Itaú.

"[O potencial de alta ou baixa] é assimétrico. Eu acho que o que subirá com a aprovação da reforma será bastante, mas será menos do que cairá se o mercado se convencer de que a reforma não virá", disse.

Isso ocorre porque nos preços de hoje já está embutida uma probabilidade de 70% a 75% de aprovação das novas regras para aposentadoria.

Bracher acrescentou também que o banco está revisando expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2019 para baixo, porque os números de janeiro não teriam sido tão vigorosos quanto esperado.

“As nossas projeções consideram o crescimento da economia em 2,5%. Isso está em revisão, pode ficar mais perto de 2%”, afirmou.

A reforma da Previdência será crucial também para o negócio de crédito do banco, de acordo com o executivo.

Ele disse que grandes empresas esperam a aprovação das novas regras de aposentadoria antes da retomada dos investimentos, o que limita a demanda por crédito no segmento por enquanto.

A carteira de crédito desse segmento caiu em 2018. Há ainda o crescimento do mercado de capitais, ao qual as grandes empresas também têm recorrido para se financiar.

O Itaú estima crescimento do crédito em 2019 entre 8% e 11%, mas a expansão deve estar centrada nos segmentos de pessoa física e pequenas e médias empresas, que oferecem maior risco de calote. O banco prevê aumento na provisão para cobrir possível inadimplência.

“Temos a inadimplência melhorando. Se medir em cada linha, a tendência é da inadimplência melhorar”, disse.

A taxa de atrasos acima de 90 dias fechou 2018 em 2,9%.

O executivo diz acreditar em uma redução dos spreads (receita de crédito, a diferença entre o custo de captação e a taxa de juro cobrada do cliente) ao longo de 2019. Isso seria um reflexo da maior oferta de crédito e cenário mais estável para a economia, que levaria a uma redução da inadimplência. Sempre considerando que a reforma da Previdência sairá do papel.

Reforma tributária

Bracher afirmou que uma reforma tributária que reduza o Imposto de Renda sobre as empresas e eleve a alíquota sobre dividendos pode ser positiva, desde que haja uma compensação que evite aumento de carga tributária. 

Ele ressaltou que a carga tributária é de 36% do PIB, elevada para o nível de desenvolvimento do país.

Tributação de dividendos é uma das propostas da equipe econômica do governo Bolsonaro. Paulo Guedes afirmou, no Fórum Econômico Mundial, no mês passado, que poderia taxar a distribuição de lucros, hoje isenta, em 15%. Em compensação, o lucro das empresas seria tributado em também 15%, não mais 34% como atualmente.

Para o presidente do Itaú, eventualmente não haverá diferença para o acionista, mas com a redução do IR de empresas, pode haver maior interessa das empresas em reinvestir lucros na atividade.

Privatizações

O presidente do Itaú afirmou que estudará os ativos dos bancos públicos que devem ser privatizados, mas afirmou que não há nenhum que a instituição esteja considerando de forma específica. 

“Nós olharemos tudo que venha ao mercado com interesse, sabendo que não podemos fazer nada de muito grande. O exemplo da XP nos mostrou que há restrições claras para aquisições”, disse.

O Itaú é o maior banco privado do país e, no ano passado, sofreu restrições do Banco Central para a aquisição da XP, maior corretora do país. O BC restringiu a possibilidade de o Itaú ficar com o controle da corretora.

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