Ano será de 'cautela' para produtor de soja do Brasil, diz ministra

'Precisamos de mercados abertos para produzir mais', afirmou em evento em São Paulo

São Paulo | Reuters

O ano será de “cautela” para os produtores de soja do país, dada a possibilidade de acordo comercial entre Estados Unidos e China, embora por ora nenhuma solução tenha sido encontrada para a disputa entre as duas maiores economias do mundo, disse nesta terça-feira (12) a ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina.

“Produtores de soja continuarão plantando soja, mas eu acho que todo mundo tem de olhar... Temos de ter inteligência estratégica na produção. Precisamos de mercados abertos para produzir mais. Será um ano de cautela”, afirmou durante o congresso Anufood Brazil, evento do setor de alimentos e bebidas, em São Paulo.

A afirmação foi feita após ela ter sido questionada sobre o impacto de um eventual acordo entre China e EUA, considerando ainda preços mais baixos da soja por causa dos grandes estoques norte-americanos.

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Tereza Cristina, ministra da Agricultura - Ueslei Marcelino/Reuters

A China é o principal destino da soja brasileira. No ano passado, o gigante asiático se voltou com força ao Brasil após Pequim taxar a oleaginosa norte-americana em meio à guerra comercial.

Nas últimas semanas, contudo, acordos firmados garantiram a venda de alguns volumes da commodity dos EUA para a China.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou nesta terça-feira que os embarques de soja pelo Brasil, o maior exportador mundial da oleaginosa, devem alcançar 70 milhões de toneladas em 2018/19, ante 71,5 milhões de toneladas na previsão do mês passado.

O volume representaria uma queda de 13,6 milhões de toneladas frente ao recorde de 2017/18, quando a demanda chinesa impulsionou os embarques nacionais.

Segundo Tereza, a recuperação da safra de soja na Argentina após a seca no ano passado também representa maior concorrência no mercado internacional, ao passo que o tabelamento de fretes segue corroendo a margem do sojicultor.

“O grande vilão este ano da renda do produtor é a tabela de fretes. Tem de ser resolvido no Supremo [Tribunal Federal]. Aí não está conosco”, afirmou.

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