Empresário de turismo admite propina para cancelar multa de R$ 161 mi no Carf

Operação da PF prendeu lobista suspeito de intermediar pagamento a servidores do órgão federal

Laísa Dall'Agnol
São Paulo

O empresário Guilherme Paulus, dono da empresa de turismo CVC Tur, admitiu em acordo de delação premiada ter pago propina a auditores fiscais e funcionários do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para se livrar de uma multa de R$ 161 milhões aplicada pela Receita Federal.

Paulus fundou a CVC em 1972. Em 2010, o grupo americano Carlyle Group adquiriu 63,6% da empresa e Paulus foi para o conselho da companhia, que passou a se chamar CVC Brasil.

Em março de 2018, Paulus pediu afastamento do cargo com o curso das investigações.

A CVC Brasil não tem nenhuma relação formal com a CVC Tur e não é investigada. 

Guilherme Paulus, fundador da CVC
Guilherme Paulus, fundador da empresa de turismo CVC - Karime Xavier/Folhapress

A delação de Paulus gerou uma nova fase da Operação Descarte, deflagrada nesta terça-feira (12) pela Polícia Federal em parceria com a Receita e o Ministério Público Federal, e que culminou com a prisão temporária de Átila Reys Silva, apontado pelos investigadores como lobista responsável pela intermediação da propina.

Ele foi preso em Minas Gerais e deve responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

A Operação Descarte investiga um suposto esquema de sonegação de impostos por grandes empresas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Segundo a PF, Paulus disse em delação que Átila foi contratado pela CVC Tur para coordenedar os pagamentos da propina. Ainda segundo os investigadores, ele intermediou o pagamento de R$ 39 milhões em propina a servidores públicos por meio de uma rede intrincada de escritórios de advocacia e lobistas.

A PF não divulgou os auditores fiscais e funcionários do Carf que teriam recebido o dinheiro.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que parte do valor teria sido remetida ao exterior e que outra parte teria sido dividida entre integrantes do grupo investigado.

A investigação ainda apura se houve propina para adiantar a restituição de crédito tributário devido à CVC Tur.

Por meio de sua assessoria, o empresário Guilherme Paulus reiterou que firmou acordo com o Ministério Público Federal e a PF, tornando-se colaborador da Justiça. Segundo a nota, o empresário prestou os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e assumiu compromisso de confidencialidade sobre seu depoimento.

A defesa de Átila Reys Silva não foi localizada.

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