EUA acusam Facebook de discriminação

Departamento diz que rede permite anúncios restritos com base em raça, cor e sexo

Hannah Murphy Peter Wells
Financial Times

O Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos EUA acusou nesta quinta- feira (28) o Facebook de discriminação em anúncios.

Segundo o departamento, o Facebook permite ilegalmente que anunciantes de imóveis restrinjam a veiculação de seus anúncios com base em critérios de raça, cor, sexo, deficiência física e outros, o que constitui uma violação da Lei de Igualdade na Habitação.

A prática abarca "excluir pessoas com base em seu local de residência, estipulado com base em uma linha vermelha traçada no mapa em torno desses bairros".

As acusações surgem apenas alguns dias depois de o Facebook anunciar uma reformulação na maneira pela qual vende publicidade direcionada, como parte de um acordo judicial com ativistas dos direitos civis que acusaram a empresa de permitir discriminação em anúncios de moradias, empregos e crédito.

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Imagem do logo do Facebook em uma tela quebrada - AFP
 

O Facebook disse nesta quinta estar surpreso com a decisão. A empresa lembrou o acordo da semana passada, no qual prometeu que os anunciantes que decidissem adquirir anúncios de imóveis, emprego e crédito já não estariam autorizados a selecionar audiências com base em idade, gênero ou código postal.

A rede também disse que o departamento havia solicitado acesso irrestrito a determinados dados —entre os quais a forma pela qual os algoritmos da empresa direcionam anúncios para a audiência—, por medo de que estivessem sido usados de maneira indevida.

"Embora estivéssemos ansiosos por encontrar uma solução, o departamento insistiu em ter acesso a informações delicadas, como dados de usuários, sem salvaguardas adequadas. Os desdobramentos de hoje [quinta] são uma decepção, mas continuaremos a trabalhar com especialistas em direitos civis quanto a essas questões."

A rede social vem sofrendo cada vez mais pressão para que garanta que sua plataforma seja mais inclusiva. Na queixa desta quinta-feira, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano anunciou que estava buscando indenização para qualquer pessoa que tenha sido prejudicada por essas práticas e mais a "pena civil máxima" para cada violação da lei de habitação.

Entre as acusações, o departamento também diz que o Facebook "minerou dados extensos sobre seus usuários", entre os quais informações obtidas de outros sites, e que os usava para determinar que usuários apresentavam maior probabilidade de ver anúncios relacionados à habitação e "baseados, em parte, nessas características protegidas".

O departamento afirma que o Facebook em seguida direcionava anúncios a grupos específicos de usuários mesmo que o anunciante não tivesse solicitado especificamente que o fizesse.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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