Descrição de chapéu Previdência Governo Bolsonaro

Bolsonaro assume articulação, afirmam líderes partidários

Sem Maia, presidente já estaria engajado pela aprovação da Previdência

O presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de posse do ministro da Educação, Abraham Weintraub, em Brasília - Evaristo Sá - 9.abr.19/AFP
Gustavo Uribe Talita Fernandes
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu assumir pessoalmente a negociação com a Câmara dos Deputados para tentar aprovar a proposta da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre.

Nesta quarta-feira (10), dia em que retomou ofensiva para tentar compor uma base aliada, ele indicou que manterá a rotina de abrir o gabinete presidencial para deputados e senadores.

O presidente também começou a avaliar a possibilidade de participar da nova campanha de rádio e de televisão sobre as mudanças nas aposentadorias. 

A disposição de Bolsonaro é uma reação à resistência de Rodrigo Maia (DEM-RJ) em conduzir a articulação da reforma da Previdência.

"O presidente está disposto a estar à frente dessa articulação", disse o líder do governo no Senado Federal, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

"Ele está à frente da articulação política, sempre esteve e é preciso que esteja até a votação da reforma previdenciária", afirmou.

 

A negociação da proposta vinha sendo conduzida, no Legislativo, por Maia e, no Executivo, pelos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e da Economia, Paulo Guedes.

Os líderes de partidos, no entanto, vinham se queixando da atuação dos dois auxiliares presidenciais e cobravam uma participação direta do presidente.

Bolsonaro, porém, dizia que a responsabilidade pela aprovação da proposta era neste momento do Congresso Nacional e que não era uma iniciativa de interesse apenas do governo federal, mas também do Poder Legislativo.

Sem Maia, o presidente avaliou o risco de a iniciativa naufragar de maneira precoce e foi convencido a tomar as rédeas do processo.

"O presidente nos sinalizou que ele vai estar mais presente e falar bastante sobre Previdência. Inclusive, foi um pedido nosso para ele", disse o dirigente nacional do Novo, João Amoêdo, que se reuniu com Bolsonaro nesta quarta-feira (10).

Além do Novo, o presidente abriu o gabinete presidencial para representantes do PSL, do Podemos, do Avante, do PSC e até mesmo do PT, principal partido de oposição ao seu governo e acusado por Bolsonaro de levar o país "à beira do abismo".

Integrantes da bancada federal do Pará, o senador Paulo Rocha e o deputado federal Beto Faro, ambos do PT, participaram de reunião com o presidente sobre o desabamento de ponte sobre o rio Moju, no nordeste do estado. Foi a primeira vez que petistas entraram no gabinete presidencial neste ano.

"O diálogo com a oposição também vai ocorrer, sobretudo nas discussões dessas reformas. Se depender da minha opinião, acho que o presidente tem de falar com todos os partidos", afirmou Bezerra sobre a nova posição de Bolsonaro.

Para a inauguração de um aeroporto em Macapá, na próxima sexta-feira (12), o governo federal enviou um convite ao líder da oposição no Senado Federal, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Ele, no entanto, informou que vai de voo comercial.

Desde a semana passada, o presidente tem tentado compor uma base aliada, mas não tem tido êxito no esforço. Nesta quarta-feira (10), Novo e Podemos anunciaram posição de independência. O mesmo posicionamento foi anunciado na terça-feira (9) pelo PR e Solidariedade.

"A posição do Podemos, em qualquer governo, é uma posição de independência. Somos contrários ao quanto pior melhor, e essa posição vai se manter", disse a presidente nacional, Renata Abreu.

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