Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Caixa repete governo PT e reforça linha de compra de caminhões

Anúncio ocorre após concessões do governo a caminhoneiros; banco nega relação

Tássia Kastner
São Paulo

A Caixa anunciou nesta terça-feira (16) que financiará 100% da compra de novos caminhões e ônibus por meio da linha BNDES Finame, uma das que foi utilizada pelo governo Dilma Rousseff (PT) em uma das tentativas de estímulo à economia.

Até então, a linha estava ativa, mas exigia entrada de 20% do valor do bem financiado, segundo o banco público, que não detalhou as taxas de juros que serão cobradas nem o montante disponível para financiamento.

A linha será oferecida apenas a empresas, excluindo os caminhoneiros autônomos. 

O anúncio ocorre ao final do dia em que o governo Jair Bolsonaro (PSL) anunciou uma série de medidas em uma tentativa de contentar caminhoneiros, insatisfeitos com os baixos valores recebidos pelo frete e também com a alta de custos, como o do diesel. Eles ameaçam nova paralisação. 

A Caixa, por meio de sua assessoria de imprensa, negou que houvesse relação entre os dois anúncios. Disse o lançamento já estava preparado e que tem por objetivo ampliar a atuação do banco neste segmento.

Uma das medidas anunciadas pela manhã foi crédito de R$ 30 mil para manutenção dos caminhões, mas  motoristas autônomos afirmaram que não conseguiriam acessar a linha porque estão com o nome no cadastro de devedores.

As taxas de juros para a compra de caminhões serão as praticadas pelo BNDES, atualmente sem os subsídios oferecidos na gestão petista. O custo depende do porte da empresa.

No mesmo comunicado, a Caixa divulgou uma linha de capital de giro a esses empresários, com custo de 0,83% ao mês e sem cobrança de IOF, que será custeado pelo banco público. 

A crise dos caminhoneiros ganhou novos contornos na semana passada, quando Bolsonaro ordenou que a Petrobras suspendesse o aumento do preço do diesel

O governo atendia assim à pressão dos caminhoneiros, mas colocava em xeque a política de preços da estatal. Foi a política de preços, criada na gestão de Pedro Parente (2016), que devolveu a confiança de investidores na Petrobras. 

A outra queixa é o baixo valor pago pelo frete, consequência do aumento da frota com o financiamento de veículos a juros baixos e também da crise econômica, que diminuiu o transporte de mercadorias pelo país.

A tabela de preços mínimos de frete, aprovada pelo governo Temer após a paralisação de maio do ano passado, não emplacou.

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