Descrição de chapéu

Pressão do tomate e do feijão está no fim, mas vem aí a da carne

Mauro Zafalon
São Paulo

A alta de 1,37% dos alimentos e bebidas verificada pelo IBGE é a maior para os meses de março nos últimos cinco anos. A pressão veio diretamente do campo, com aumentos expressivos principalmente nos preços do feijão, do tomate e da batata.

Essa pressão ocorre porque o IBGE olha para o retrovisor e vê a pressão já ocorrida. Pelo olhar do índice ponta a ponta da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), essa pressão está acabando.

O acompanhamento ponta a ponta da Fipe compara os preços da última semana pesquisada com os de igual semana do mês anterior.

Enquanto esse critério mostra os passos mais recentes dos preços do produto, a comparação mensal —30 dias em relação aos 30 anteriores— demora mais para apontar a tendência, como mostram o IPC da Fipe e o IPCA do IBGE. 

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Preço do tomate sobressai em março e tem alta de 31,84%, segundo IBGE - Bernardo Dantas/Folhapress

Pelos números da Fipe, a pressão desses alimentos não só já diminuiu como, em alguns casos, deixou de existir.

É o caso do feijão, que, após dobrar de preços no ano, na primeira semana deste mês já custa 2,1% menos do que no mesmo período de março.

Mas o consumidor não terá muito alívio no bolso. Saem do foco da inflação esse produtos "in natura", mas entram outros no lugar.

O ponta a ponta da Fipe já mostra aceleração dos preços das carnes, itens também de peso na inflação.

Na primeira semana de abril, em relação à primeira de março, a suína teve alta de 4,4%, e a bovina e a de frango, de 2% cada uma.

Os preços das proteínas respondem a uma melhor demanda externa neste ano do que no anterior. A China vem se tornando um dos principais importadores de proteínas do Brasil, tendência que deverá perdurar por muitos meses.

Um avanço da economia nos próximos meses poderá também melhorar as vendas no mercado interno, o que refletirá ainda mais nos preços.

Apesar da boa produção agrícola, a âncora verde que segurou a inflação em outros anos poderá não se repetir agora, mas sem explosão de preço.

Redução nas áreas de plantio, aumento nas exportações e clima adverso estão sendo responsáveis por boa parte da elevação de preços essenciais à mesa do consumidor.

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