FCA-Renault seria maior montadora do Brasil e deve precisar de aval do Cade

Plano seria apresentado à autoridade da concorrência só após ser finalizado

São Paulo

A fusão da FCA (Fiat Chrysler) e da Renault pode criar a maior montadora do Brasil e deve precisar de aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para vigorar no país, segundo pessoas a par das negociações.

O acordo entre as montadoras, anunciado oficialmente nesta segunda-feira (27), ainda deve demorar para ser finalizado —um prazo considerado rápido seria algo entre um e dois meses.

Apenas após a consolidação do acordo pelas matrizes das empresas é que o plano seria apresentado à autoridade da concorrência brasileira.

Logos das marca da FCA em Turin, onde fica a sede da montadora
Logos das marcas da FCA em Turin, onde fica a sede da montadora - Marco Bertorello - 27.mai.19 - AFP

A Fiat, da FCA, é a terceira colocada em vendas no Brasil de automóveis e comerciais leves, segundo os dados fechados de 2018 da Fenabrave (associação das revendedoras), com 13,18% de participação de mercado.

Considerando ainda Jeep e RAM, que também fazem parte da FCA, o grupo seria o primeiro colocado, com 17,69% do mercado, praticamente empatado com a GM (17,58% de participação).

Caso a fusão ocorra, o grupo lideraria com folga no Brasil, com pouco mais de um quarto das vendas, ainda considerando os dados de 2018; teria 26,39% do mercado. Hoje a Renault, é quinta do ranking (8,7%) nacional.

No mundo, o novo grupo seria o terceiro maior, atrás de Volkswagen e Toyota.

O mercado ficaria ainda mais concentrado caso Nissan e Mitsubishi (9,95% e 0,9%, respectivamente) aderissem ao acordo. Nesse caso, o grupo resultante dominaria pouco mais de 31% de todas as vendas no Brasil.

Um acordo que englobasse Nissan e Mitsubishi, porém, é mais difícil de ocorrer.

Embora oficialmente a Nissan tenha dito nesta segunda que está "aberta a qualquer discussão que fortaleça" a parceria já existente, a perspectiva de uma junção de forças com a FCA não entusiasma a japonesa, que vê mais concorrência do que complementaridade com a FCA.

Além disso, os japoneses afirmam que as redundâncias na operação europeia da trinca forçariam fechamento de fábricas e de vagas para evitar perdas financeiras, medidas que seriam rechaçadas pelos governos de França e Itália.

Mas, acima de tudo, acham que a proposta da FCA é uma estratégia dos ítalo-americanos para entrar no maior mercado do mundo, o mercado chinês —e, de forma mais difusa, no circuito asiático como um todo.

Em nota, a Nissan informou que não faria comentários. "Vamos acompanhar de perto as discussões”, afirmou.

17,69% do mercado hoje pertence a marcas da FCA (Fiat, Jeep, RAM)

26,39% seria a participação do mercado com a fusão entre FCA e Renault

31,24% do mercado seria do grupo caso Nissan e Mitsubishi participem do negócio

 
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