Descrição de chapéu Governo Bolsonaro Previdência

Bolsonaro quer menor desidratação possível da Previdência

Presidente, porém, afirma que governo não é dono das leis

Talita Fernandes
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira (13) que seu governo pretende que a proposta de reforma da Previdência seja desidratada "o menos possível", mas reconheceu que o Congresso fará alterações ao dizer que "não somos donos das leis".

"A gente quer que desidrate o menos possível, queremos aprovar a reforma da Previdência. O que o Parlamento fizer, nós obviamente acataremos e é sinal que eles descobriram que tem coisas que podem ser alteradas e vamos aceitar", afirmou.

 

O relatório da proposta que será votado em comissão especial da Câmara está sendo apresentado na manhã desta quinta-feira pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), que já reconheceu uma economia abaixo do previsto inicialmente. Segundo o relator, a aprovação do texto deve gerar R$ 915 bilhões para os cofres públicos em dez anos, enquanto o ministro Paulo Guedes (Economia) falava inicialmente numa cifra de R$ 1 trilhão. 

A perspectiva é de que estados e municípios sejam excluídos do texto, alterando a proposta original. 

"É uma briga mais interna, me inclua fora dessa, mas parece que é uma tendência tirar estados e municípios. O que acontece. O que chega pra mim aqui[...] que alguns governadores querem aprovar a reforma da Previdência, mas de modo que os seus deputados votem contra, não quer sofrer algum desgaste. Toda batalha tem algum desgaste. Mas se os governadores pensam dessa maneira, parece que há uma tendência dos parlamentares de retirar e o governador vai ter o desgaste no próprio estado", afirmou o presidente.

Questionado sobre uma diminuição da economia que deve ser gerada com a reforma, ele disse que Paulo Guedes falava apenas em relação à União.

"A economia que o Paulo Guedes fala é no tocante a área federal. Os estados sabem onde apertam seu calo e os municípios também e a maioria está com problemas. Vai ter que fazer uma reforma. Poderiam somar a nós, mas parece que eles não querem. Que seja vontade a deles."

O presidente disse que,  por ele, a criação do sistema de capitalização para Previdência deve ser mantida. 

"A capitalização é outra coisa, nós apresentamos a nossa proposta. Nós não somos os donos da leis, mesmo MP [medida provisória] que tem efeito imediato, depois de algum tempo ela pode ser alterada e ser rejeitada. Gostaríamos que fosse mantida a capitalização e vamos lutar nesse sentido", afirmou.

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