Descrição de chapéu Financial Times

Apple investe US$ 6 bilhões em novos programas para entrar na guerra do streaming

Alto orçamento é tentativa de fazer com que a empresa se recupere do atraso em relação a rivais como Netflix, Disney e HBO

Anna Nicolaou Tim Bradshaw
Nova York e Londres | Financial Times

A Apple reservou mais de US$ 6 bilhões para programas e filmes originais antes do lançamento de seu novo serviço de streaming de vídeo, um orçamento generoso cujo objetivo é o de permitir que ela recupere o atraso com relação a rivais como Netflix, Disney e HBO (parte do grupo AT&T).

A fabricante do iPhone vem preparando sua incursão à mídia há anos, depois de contratar Jamie Erlicht e Zack Van Amburg, dois executivos conhecidos da Sony Pictures Television, para liderar esse esforço, em 2017.

Os dois receberam um orçamento inicial de US$ 1 bilhão (R$ 4, 04 bi) para encomendar conteúdo original em seu primeiro ano de trabalho, mas esse orçamento foi expandido e o total reservado a produções até agora já ultrapassou os US$ 6 bilhões (R$ 24,2 bi), de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Steve Carell, Reese Witherspoon and Jennifer Aniston durante lançamento da Apple, em março, na Califórnia - Noah Berger/AFP

A empresa gastou centenas de milhões de dólares em uma série repleta de astros que conta com Jennifer Aniston, Reese Witherspoon e Steve Carell, chamada "The Morning Show". De acordo com pessoas informadas sobre o assunto, isso equivale a um custo por episódio superior ao de "Game of Thrones", cujo custo por episódio em sua temporada final foi estimado em US$ 15 milhões.

"The Morning Show" está ao lado da série de ficção científica "See", estrelada por Jason Momoa, de "Aquaman", e criada por Steven Knight, de "Peaky Blinders", como uma das produções mais caras na agenda da Apple.

A companhia está tentando criar um acervo de programas originais que lhe permita concorrer com competidores mais estabelecidos, como a Netflix. Embora o orçamento da Apple continue muito inferior aos US$ 15 bilhões que a Netflix deve gastar em conteúdo este ano, os termos de pagamento mais generosos que a empresa oferece a ajudam a fechar negócios em Hollywood.

Diferentemente da Netflix, que em muitos casos paga os criadores de conteúdo ao longo de diversos anos, a Apple paga mais cedo no processo de produção, assim que determinadas metas são atingidas, dizem pessoas informadas sobre a abordagem da empresa.

O novo serviço TV+ da companhia começará funcionar em algum momento dos próximos dois meses, de acordo com pessoas informadas sobre o planos, em uma tentativa de esvaziar o lançamento do Disney Plus, cuja estreia nos Estados Unidos a Disney anunciou para 12 de novembro. Tanto a Apple quanto a Disney lançaram novos trailers para seus serviços rivais de streaming na segunda-feira (19).

A Apple ainda não revelou os preços ou outros detalhes cruciais do serviço por assinatura TV+, mas disse que conteúdo novo será adicionado a cada mês, depois que o serviço for lançado em mais de 100 países.

Mantendo a reputação de sigilo no lançamento de novos produtos pela qual a empresa é conhecida, a Apple não ofereceu muita informação sobre a data de lançamento ou detalhes do novo serviço de streaming, mesmo aos estúdios cujos programas farão parte de seu pacote.

Os gastos elevados da Apple elevaram o patamar de preços da programação de televisão, disseram executivos do setor. A Apple se recusou a comentar.

A mais recente incursão da empresa se segue a diversas largadas falsas da Apple em seus esforços por entrar no ramo de televisão, nos últimos 10 anos.

O lançamento do TV+ surge no momento em que a Apple, sob a liderança de seu presidente-executivo Tim Cook, busca reforçar seus serviços de mídia digital e computação em nuvem a fim de reduzir sua dependência quanto ao iPhone. A empresa quer elevar sua receita com serviços a US$ 50 bilhões ao ano em 2020.

Cook disse no mais recente anúncio de resultados da Apple que esperava que a maioria das pessoas "assinassem diversos produtos [de streaming]", acrescentando que "faremos nosso melhor para convencê-las de que o Apple TV+ deve estar entre eles".

Sob o vice-presidente de serviços Eddy Cue, Erlicht e Van Amburg criaram uma equipe de veteranos da mídia nos escritórios cada vez maiores da Apple em Culver City, Los Angeles.

Em março, a Apple realizou um evento repleto de estrelas no qual pesos pesados de Hollywood como Oprah Winfrey e Steven Spielberg subiram ao palco com Cook para promover o serviço de streaming. "Eles estão em um bilhão de bolsos, pessoal—um bilhão de bolsos", disse Winfrey sobre a Apple, ao lançar seus planos para novos documentários, e para programas ao vivo relacionados ao seu clube de leitura, que serão veiculados com exclusividade pela fabricante do iPhone.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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