Atratividade das estatais para investidor não é garantida, dizem especialistas

Empresas com passivos maiores ou deficitárias precisam passar por reestruturação

Ivan Martínez-Vargas
São Paulo

As joias da coroa da lista de estatais a serem privatizadas pelo governo são Eletrobras e Correios, segundo advogados e consultores ouvidos pela reportagem. 

Segundo eles, porém, nenhum dos processos de desestatização deverá ser concluído antes de 2021.

“São ativos bons, mas a atratividade depende do que será incluído no edital. Há estatais que têm passivos grandes. No cenário mais otimista, levaria 18 meses o processo de venda”, diz Mauro Penteado, do escritório Machado Meyer.

Planos de demissão voluntária e redução de salários elevados podem ajudar a aumentar a atratividade, segundo Renato Sucupira, da BF Capital.

Além disso, a maioria das empresas da lista é formada por empresas-matrizes, que demandam aprovação legislativa para serem vendidas, segundo Claudia Bonelli, do TozziniFreire.

“Nesses casos, como o do porto de Santos, não é possível fazer a alienação como foi com a BR Distribuidora [via oferta de ações].”

Companhias como a CBTU, que opera no vermelho, podem se tornar viáveis, segundo Armando Castelar, da FGV, “se a privatização incluir imóveis em que possa haver exploração comercial, como foi feito no Japão”. 

As empresas que dependem muito de contratos com o governo, como a Serpro e a Dataprev, não valem por seus ativos, mas sim pela exclusividade na prestação de serviços à máquina pública, de acordo com ele. A privatização delas, nesses casos, atrairia mais investidores se houver algum tipo de manutenção do monopólio, diz Castelar.

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