WeWork adia oferta de ações após resposta fria de investidores

Empresa está sob pressão para prosseguir com a listagem de ações para garantir financiamento a suas operações

Bengaluru | Reuters

A We Company, dona da WeWork, adiou sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), deixando de lado os preparativos para lançá-la este mês após uma fraca resposta dos investidores aos seus planos.

A startup americana de escritórios compartilhados estava se preparando para um road show de investidores para sua abertura de capital nesta semana antes de tomar a decisão na última hora na segunda-feira de desistir, disseram fontes familiarizadas com o assunto.

A empresa está sob pressão para prosseguir com a listagem de ações para garantir financiamento para suas operações.

No período que antecedeu o lançamento de seu IPO, a We Company enfrentou preocupações com seus padrões de governança corporativa, bem como com a sustentabilidade de seu modelo de negócios, que se baseia em uma mistura de passivos de longo prazo e receita de curto prazo, e como esse modelo suportaria uma crise econômica.

Espaço de coworking em Washington DC
Espaço de coworking em Washington DC - Mandel Ngan - 17.set.2019/AFP

Segundo a agência Reuters, a We Company estaria buscando uma avaliação em seu IPO entre US$ 10 bilhões (R$ 41 bilhões) e US$ 12 bilhões (R$ 49,2 bilhões), um desconto relevante em comparação com a avaliação de US$ 47 bilhões (R$ 192,7 bilhões) alcançada em janeiro.

"A We Company está ansiosa pelo nosso IPO por vir, que esperamos concluir até o final do ano. Queremos agradecer a todos os nossos funcionários, membros e parceiros por seu compromisso contínuo", disse a empresa em um comunicado curto.

Se a We Company tivesse seguido com o IPO com uma avaliação tão baixa, isso representaria uma grande virada no crescimento na última década do setor de capital de risco, que levou ao surgimento de startups como a Uber Technologies, Snap e Airbnb.

Isso significaria que a We Company seria avaliada abaixo dos US$ 12,8 bilhões em patrimônio que levantou desde que foi fundada em 2010, segundo o provedor de dados Crunchbase. E isso seria um golpe para o seu maior patrocinador, o SoftBank Group Corp, do Japão, em um momento em que está tentando reunir US$ 108 bilhões com investidores para o seu segundo Vision Fund.

O SoftBank estava discutindo apoiar o IPO comprando ações entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão, disseram as fontes. No entanto, a We Company decidiu na segunda-feira que, mesmo com o apoio do SoftBank, o IPO teria levantado pouco mais de US$ 2 bilhões, abaixo da meta de pelo menos US$ 3 bilhões.

Essa meta está vinculada a uma linha de crédito de 6 bilhões de dólares que a We Company garantiu aos bancos no mês passado, que exige que faça uma abertura de capital até o final do ano e que levante pelo menos US$ 3 bilhões, disse uma das fontes.

Se a empresa sediada em Nova York não cumprir essa meta até o final do ano, precisará garantir financiamento alternativo.

O Wall Street Journal informou pela primeira vez sobre o possível atraso do IPO.

A última vez que o SoftBank investiu na We Company foi em janeiro, avaliando a empresa em US$ 47 bilhões ao injetar US$ 2 bilhões em dinheiro. Ele estava pressionando a empresa a adiar seu IPO.

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