Ofertas de ações e fusões no Brasil são primeiro sinal de retomada da confiança, diz Citi

País registrou até setembro, 2 operações de IPO e 22 follow-ons

Tássia Kastner
Nova York

O volume de ofertas de ações e de fusões e aquisições no Brasil neste ano são um indicador de confiança no país, especialmente em um cenário de poucas operações desse tipo ao redor do mundo, afirmou Eduardo Cruz, chefe da área de corporate e banco de investimento do Citi na América Latina.

“Não temos praticamente nenhum tipo de atividade no mercado de capitais em nenhum outro lugar”, afirmou Cruz em referência ao cenário de maior aversão a risco no mundo.

O país registrou até setembro, 2 operações de IPO (aberturas de capital) e 22 follow-ons (ofertas de ações de empresas já listadas, na maior parte, de ofertas secundárias, nas quais o dinheiro vai para o acionista). Nesta semana, deverá ocorrer o terceiro, da Vivara.

Parte da explicação está no fato de que o governo está vendendo ações de empresas públicas, caso da privatização da BR Distribuidora na Bolsa e das vendas das ações do Banco do Brasil que eram detidas pela Caixa.

Logo do Citibank - Bobby Yip - 28.jul.14/Reuters

Na avaliação de Cruz, o fato dessas operações não se converterem investimentos não é um problema. Segundo ele, o benefício para a economia brasileira se dará pela redução da dívida pública e pela aplicação do dinheiro em outras áreas da economia.

Ele se considerou otimista com o Brasil, salientando que a aprovação da reforma da Previdência deve sair em um prazo em linha com o esperado pelo banco –a votação em segundo turno no Senado está prevista para ocorrer em duas semanas —e apontou ainda as discussões da reforma tributária. Lembrou, porém, que neste caso há uma disputa de propostas que tornará o debate mais complexo no Congresso.

Para ele, o cenário brasileiro não é mais positivo porque sucede uma campanha eleitoral, que sempre cria incertezas para investidores.

Argentina

Para Cruz, igualmente a Argentina deve continuar enfrenando dificuldades devido a uma potencial transição polarizada. As eleições no país serão no final do mês a há favoritismo para a chapa de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner.

“Os mercados não sabem o que será o governo de Fernandez. Eles [chapa] estão começando a se aproximar do setor privado e de investidores. Acredito que o mais importante é o que vão fazer com a dívida e a negociação com FMI”, afirma.

Após as primárias argentinas, o peso sofreu uma forte desvalorização que levou o governo de Mauricio Macri a decretar moratória de parte da dívida e a abrir renegociação com o FMI. A medida levou a uma nova rodada de desvalorização da moeda.

A jornalista viajou a convite do Citi

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