Descrição de chapéu Financial Times

Receita do Twitter é prejudicada por 'bugs' de privacidade

Segundo a empresa, sem esses problemas, o ritmo de crescimento de sua receita teria sido três pontos percentuais mais alto

Financial Times

O Twitter informou na quinta-feira (24) que "bugs" em seu sistema de direcionamento de publicidade reduziriam sua receita em dezenas de milhões de dólares este ano, depois de admitir que havia compartilhado com anunciantes certos dados sobre usuários sem o consentimento destes.

As ações da companhia sediada em São Francisco caíram acentuadamente, recuando em 20,8%, para US$ 30,75 (R$ 124,32) —uma queda que reverteu a maior parte do ganho acumulado pelas ações da empresa este ano.

As receitas do Twitter no terceiro trimestre subiram em 9% ante o período em 2018, para US$ 824 milhões (R$ 3,3 bilhões), mas ficaram US$ 50 milhões (R$ 200,4 milhões) aquém das projeções de Wall Street.

O rendimento líquido também sofreu, caindo para US$ 36,5 milhões (R$ 146,3 milhões). Desconsiderados os efeitos de um grande benefício fiscal no mesmo período em 2018, o lucro da empresa caiu em mais de 50%.

Logo do Twitter; empresa afirmou que dados foram usados inadvertidamente
Logo do Twitter; segundo a empresa, sem esses problemas, o ritmo de crescimento de sua receita teria sido três pontos percentuais mais alto - Denis Charlet/AFP

"A despeito dos desafios que surgiram, o trimestre valida nossa estratégia de investir para gerar crescimento em longo prazo", disse Ned Segal, vice-presidente financeiro do Twitter. "Resta trabalho a fazer para que ofereçamos produtos com receita melhorada".

Em sua carta trimestral aos investidores, o Twitter delineou uma série de problemas que afetam seus negócios.

A empresa afirmou que, no final de junho, havia descoberto defeitos que "afetam primariamente nosso produto Mobile Application Promotion (MAP), o que prejudica nossa capacidade de direcionar anúncios e de compartilhar dados com parceiros publicitários e de serviços de mensuração de audiência".

Sem esses problemas, o ritmo de crescimento de receita do Twitter teria sido três pontos percentuais mais alto, a empresa afirmou.

Os dois problemas se relacionam a uma questão revelada inicialmente em agosto, quando o Twitter admitiu que não havia obtido o consentimento de alguns usuários a fim de compartilhar certos dados com "parceiros publicitários" e outros.

O problema com os controles de privacidade de usuários surgiu em maio de 2018 e foi resolvido em agosto de 2019. O Twitter também informou que havia mostrado anúncios personalizados a alguns usuários sem a permissão destes por quase um ano.

Resolver esses erros significa que o Twitter passou a ter menos dados disponíveis para direcionamento de publicidade, o que reduziu os preços que a companhia pode cobrar dos anunciantes.

"Vocês confiam em que respeitemos suas escolhas, e nesse caso nós não justificamos essa confiança", o Twitter afirmou em agosto. Na quinta, um porta-voz acrescentou que "notificamos as pessoas afetadas e as autoridades regulatórias apropriadas".

Não foram apenas os dois defeitos técnicos que afetaram a receita publicitária da empresa nos últimos meses. O Twitter também disse ter enfrentando "sazonalidade superior à esperada em nosso negócio publicitário, um problema que começou em julho e persistiu até agosto".

No entanto, os problemas de direcionamento de publicidade não foram resolvidos. O Twitter anunciou quer isso poderia significar que as receitas no quarto trimestre sejam até US$ 100 milhões (R$ 4000,8 milhões) inferiores ao que os investidores esperam.

A companhia agora projeta receita de entre US$ 940 milhões (R$ 3,7 bilhões) e US$ 1,01 bilhão (R$ 4 bilhões) no atual trimestre, que tipicamente costuma ser o período mais importante do ano para os anunciantes.

Segal acrescentou, em conversa telefônica com analistas na quinta, que haveria "algum impacto continuado" desses problemas publicitários, no ano que vem. A despeito de seus problemas nos negócios publicitários, o Twitter conseguiu manter sua recente recuperação em termos de crescimento de audiência.

O número médio total de usuários monetizáveis ativos diários subiu em 17% este ano, para 145 milhões.

Jack Dorsey, o presidente-executivo do Twitter, disse que os usuários da empresa responderam bem aos seus esforços para reprimir o "bullying" e outras práticas abusivas, bem como aos seus esforços para facilitar "que as pessoas encontrem o que estão procurando no Twitter".
 

Tradução de Paulo Migliacci

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