Lojistas esperam alta de 18% nas vendas com Black Friday mais próxima do Natal

Grande parte das vendas natalinas podem ser feitas na sexta; saiba como comprar com segurança

São Paulo

As vendas da Black Friday devem subir 18% este ano com a proximidade do Natal. A expectativa da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) é de que as lojas faturem R$ 3,45 bilhões, acima dos R$ 2,92 bilhões de 2018.

Com esse valor, a taxa persegue a do crescimento anual do ecommerce nacional.

Programada para a sexta-feira (29), a data ficará seis dias mais próxima do Natal em relação ao ano anterior, o que deve impactar o varejo, segundo Mauricio Salvador, presidente da associação.

“Um ou dois dias mais próximos já fazem diferença. Neste ano, estimamos que um terço das vendas sejam antecipações das compras natalinas”, diz.

A projeção para o ticket médio é de R$ 340 e a maior alta deve se concentrar nos setores de informática, celulares e eletrônicos, moda e acessórios e casa e decoração.

De acordo com a Black Friday, a região Sudeste deve movimentar R$ 1,9 bilhão este ano, o que representa 59% do faturamento total. A organização, no entanto, lida com uma expectativa diferente, de R$ 3,15 bilhões, 21% acima do movimentado em 2018.

Lideram a lista de produtos mais procurados os smartphones (37%) e eletrodomésticos (36%), seguidos de televisores (29%), informática (24%) e móveis e decoração (22%).

Conforme a data se consolida como uma das principais do ecommerce, cresce a cautela entre consumidores, mais vacinados contra fraudes. Pesquisa da Yourviews realizada com 600 lojas diz que a consulta por avaliações de produtos deve crescer 32%. 

Apesar de maior maturidade dos consumidores e das marcas, que põem na balança o risco da reputação em forjar descontos, especialistas alertam que é preciso manter a desconfiança com ofertas exageradas e redobrar a atenção com a segurança digital nesse período.

Confira dicas para não cair em golpe na Black Friday

Compare preços

A média de descontos oferecida pelas lojas é de 20% a 30%, de acordo com a ABComm. Mesmo que parte do varejo use a data para fazer queima de estoque de coleção, como vestuário, ofertas acima de 70%, por exemplo, devem ser encaradas com desconfiança. É possível checar a evolução de preços de um produto em sites como Black Friday de Verdade, Google Shoppping, JáCotei, Buscapé e Zoom.

Cheque a reputação das marcas

É comum que lojas que aumentam preços dias antes da Black Friday ou que atrasam muito a entrega de um item tenham sido alvo de reclamação passada. O Reclame Aqui é uma fonte adequada para conferir o histórico de uma marca. Já o Procon-SP tem uma lista de mais de 300 sites a serem evitados. 

Prefira o site da loja e não a oferta das redes sociais

Para não cair em phishing —páginas ou links falsos que visam o roubo de informações— especialistas recomendam que a compra seja feita no site do varejista e não em folders enviados por emails ou circulados em correntes de WhatsApp.

Uma das formas mais simples de detectar phishing é pela presença de erros ortográficos nas peças gráficas. Antes de inserir qualquer dado financeiro, consumidores devem se atentar aos nomes dos sites.

O endereço eletrônico das lojas Americanas ou da Riachuelo, por exemplo, não terão nomes diferentes das marcas ou a presença de números.

Sites com "https" têm a conexão criptografada, portanto são mais seguros.

"Há muito golpe no Instagram e no Facebook. Anúncios como 'compre seu iPhone 11 por R$ 2 mil em dez vezes' são feitos para roubar informação", diz Bruno Prado, da UPX Technologies, de segurança digital. 

Ele sugere a verificação da origem de aplicativos baixados no Google Play e na Apple Store. "Se o desenvolvedor do app for uma pessoa física, é provável que seja falso."

É importante, também, verificar comentários sobre o aplicativo antes de fazer o download.

Evite wi-fi público

Uma recomendação básica para efetuar compras online é evitar a conexão wi-fi de lojas e outros espaços públicos, como aeroportos, restaurantes e praças. A alta movimentação de transações digitais em datas comerciais é um chamariz para invasores, que interceptam a conexão para roubar dados financeiros.

Faça a compra de seu próprio dispositivo

Além de usar a rede de dados própria, não insira informações de cartões de crédito ou débito, bem como endereço e outros dados pessoais em computadores, tablets ou celulares de terceiros. 

Opte por cartões virtuais

Grandes bancos e fintechs disponibilizam a criação de cartões de crédito virtuais que podem ser eliminados após compras online. Com informações financeiras descartadas após a transação, agentes mal intencionados não conseguem usar os dados para novas aquisições.

Especialistas também lembram que o cartão de crédito permite o cancelamento da compra diante de eventual problema, processo muito mais difícil em compras por boletos ou quitadas no débito.

Compre com cautela

Apesar de a data coincidir com o recebimento do 13º salário, uma das formas de evitar futuras dívidas e compras por impulso é criar uma lista com itens desejados. É ideal que o consumidor tenha um teto de gastos para a sexta-feira.

Redobre a atenção com o cashback

Os anúncios de cashback —programa de fidelidade em que as marcas devolvem ao cliente uma porcentagem do valor gasto no cartão de crédito— estão mais agressivos e têm sido uma das apostas das marcas nesta edição da Black Friday.

De acordo com a advogada Caroline Gonçalves, da área de consumidor do escritório Trench Rossi Watanabe, a opção é o "grande diferencial deste ano" por ter ganhado espaço no varejo.

"Tem sido considerado o segundo atrativo depois do preço baixo. É preocupante porque para o consumidor ainda é uma novidade", diz.

Ela sugere que os interessados fiquem atentos ao prazo de crédito de cada empresa (nem sempre o valor cai de forma imediata), verifiquem sobre quais produtos o retorno de dinheiro incide e se a alternativa é válida financeiramente.

Ao fazerem ofertas de cashback, as empresas têm responsabilidade de deixar as informações sobre as restrições claras ao consumidor.

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