Descrição de chapéu CES

Empresa inventa caixa inteligente para armazenar maconha

Item só dá acesso à Cannabis com identificação biométrica por meio de aplicativo

Las Vegas

Não adianta procurar no aplicativo da CES 2020 ou pedir informações a atendentes sobre a canadense Keep Labs, empresa que desenvolveu uma caixa inteligente para armazenar maconha.

A startup encontrou restrições para exibir seu invento na feira de tecnologia realizada em Las Vegas, preferiu se ausentar e se tornou a empresa-problema da vez. Em 2019, esse posto foi ocupado pela Lora DiCarlo, que produziu o vibrador Osé.

Em comum, ambos os produtos receberam menções honrosas e deveriam ter sido expostos no Innovation Awards Showcase, espaço reservado às novidades consideradas mais relevantes ou curiosas entre as que se inscreveram no evento.

Keep, recipiente para guardar maconha equipado com balança e que emite alerta no celular se alguém tenta abri-lo.
Keep, recipiente para guardar maconha equipado com balança e que emite alerta no celular se alguém tenta abri-lo - Reprodução

A história da Keep Labs começa no dia 7 de novembro, quando a Consumer Technology Association, entidade responsável pela organização da CES, anunciou que a empresa canadense estava entre as contempladas na categoria eletrodomésticos.

Dois meses depois, a Keep foi comunicada de que seu produto só poderia ser exposto caso a palavra “Cannabis” não fosse mencionada, o que comprometeria sua participação na feira de tecnologia.

A área reservada ao Innovation Awards Showcase fica em um salão dentro do The Venetian Hotel, que é uma das sedes da CES. É um espaço com lustres pomposos, mas sem muita infraestrutura. As novidades ficam expostas lado a lado em caixas de vidro que parecem aquários, identificadas por etiquetas de papel com letras miúdas coladas sobre plaquetas de acrílico.

Nesse ambiente e sem a identificação correta, o invento da Keep Labs seria apenas uma caixinha semelhante a um rádio-relógio perdida entre outras novidades. Dessa forma, a empresa optou por não exibi-lo.

Segundo a descrição da empresa canadense, seu dispositivo foi projetado para manter a maconha segura e discreta dentro de casa. O Keep usa identificação biométrica e bloqueio por meio de aplicativo para impedir que pessoas não autorizadas tenham acesso à cannabis. Se alguém tentar abrir o recipiente, o dono recebe alertas em seu smartphone.

A caixa é hermeticamente fechada e incorpora uma balança de alta precisão, além de trazer um mostrador digital que exibe hora e temperatura ambiente. Caso venha a ser patenteada e comercializada, a invenção estará disponível nas cores giz branco e preto ardósia.

Em um comunicado, a organização da CES alega que a maconha é ilegal em nível federal, não podendo ser consumida em parques públicos e hotéis no estado de Nevada, onde fica a cidade de Las Vegas, nem ter menções que façam algum tipo de apologia à cannabis.

A entidade diz ainda que a Keep Labs poderia expor sua caixa tecnológica como um eletrodoméstico ou dispositivo de armazenamento, categoria em que a empresa teria se enquadrado durante a inscrição no Innovation Awards Showcase.

Estande da empresa Lora Dicarlo na CES 2020, feira de tecnologia realizada em Las Vegas
Estande da empresa Lora Dicarlo na CES 2020, feira de tecnologia realizada em Las Vegas - Eduardo Sodré/Folhapress

Em seu site, a Keep Labs destaca a honraria concedida pelos organizadores da CES e reserva uma área para exibir links com notícias sobre sua polêmica na feira.

Na apresentação virtual do produto, palavras que remetem à maconha são substituídas por sinônimos. A frase de abertura diz “Meet Keep: smart, discreet storage for your stash” (“conheça a Keep: armazenamento discreto e inteligente para o seu estoque”).

A assessoria da Keep Labs ainda não respondeu aos e-mails enviados pela reportagem, mas não deve estar tão preocupada com sua ausência voluntária na feira. A empresa Lora DiCarlo teve destaque bem maior ao longo do ano passado e agora possui um estande próprio na CES.

O caso da fabricante do vibrador desenvolvido por mulheres foi mais grave: a organização da CES retirou a premiação concedida e proibiu que o Osé fosse exibido na feira. Com a repercussão do caso, a entidade voltou atrás e, além de revalidar a menção honrosa, permitiu sua exposição no evento de 2020.

O estande da Lora DiCarlo ocupa um bom espaço no Venetian Hotel. Está perto da gigante holandesa Philips em uma área dedicada a artigos de saúde.

Ian Kulp, que é um dos representantes da Lora DiCarlo na CES, explica que o Osé já está à venda pela internet por 290 dólares (R$ 1.180). A comercialização teve início no fim de novembro.

Kulp apresentou dois novos estimuladores femininos que serão lançados no segundo trimestre, chamados Baci e Onda. O primeiro simula a sensação da boca e da língua durante o sexo oral, e o segundo reproduz o toque dos dedos no ponto G, segundo a descrição disponível no site da empresa Lora DiCarlo.

O jornalista viajou a convite da Ford

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