Descrição de chapéu The New York Times

Tendências da CES 2020 vão de investimentos em 5G até casas inteligentes

Com ascensão lenta mas firme, 5G é um dos principais temas de evento de tecnologia em Los Angeles

Brian X. Chen
The New York Times

A década de 2010 deixou uma coisa bem clara: a tecnologia é tudo na vida.

A tecnologia está em nossas casas, com termostatos que aquecem nossa moradia antes de abrirmos a porta. Está em nossos carros, com recursos de segurança que nos alertam sobre a presença de veículos em faixas de rodagem adjacentes.

Está em nossos televisores, por meio dos quais muitos de nós assistem a filmes e séries usando apps de streaming. Chegamos até a usar a tecnologia em nossos corpos, na forma de pulseiras que ajudam a monitorar nossa saúde.

Em 2020 e nos demais anos da década que se inicia, é provável que essas tendências ganhem ímpeto. Elas estarão à mostra esta semana na CES (Consumer Electronics Show), uma enorme feira do setor de eletrônica em Las Vegas que tipicamente serve como janela para revelar os desdobramentos tecnológicos mais importantes do ano.

Emily Becher, vice-presidente sênior e chefe da Samsung NEXT Global, fala sobre conectividade 5G e mobilidade urbana no discurso da Samsung durante o CES 2020 em Las Vegas, Nevada, Estados Unidos - Steve Marcus/Reuters

Na CES, a tecnologia de celulares de nova geração, conhecida como 5G, capaz de transmitir dados em velocidade espantosa, deve assumir posição central como um dos tópicos mais importantes.

Também é provável que vejamos uma evolução das casas inteligentes, com aparelhos como refrigeradores, televisores e aspiradores de pó capazes de se conectar à internet e de trabalhar juntos de modo mais integrado —e com muito menos interação humana requerida.

“A coisa mais importante é o tudo conectado”, disse Carolina Milanesi, analista de tecnologia na Creative Strategies, uma empresa de pesquisa. ”Qualquer coisa usada na casa —teremos mais câmeras, mais microfones, mais sensores”.

Se parte disso soa parecido com as novidades do ano passado, é porque é de fato parecido —e isso acontece porque as tecnologias novas às vezes demoram para amadurecer.

Abaixo, as tendências de tecnologia às quais você deve ficar atento este ano.

A casa ainda mais inteligente: verdadeira automação

Nos últimos anos, Amazon, Apple e Google batalharam para se tornar o centro de nossas casas.

Seus assistentes virtuais —Alexa, Siri e Google Assistant— respondem a comandos de voz e tocam músicas em alto-falantes, controlam lâmpadas e ativam aspiradores de pó robotizados.

Os produtos domésticos inteligentes funcionam bem, mas instalá-los é complicado, e por isso a maioria das pessoas usa os assistentes virtuais apenas para tarefas básicas como cronometrar as coisas que estão cozinhando e verificar a previsão do tempo.

Mas em dezembro, Amazon, Apple e Google chegaram a uma aparente trégua: anunciaram que trabalhariam juntos em um padrão que ajudasse a compatibilizar os produtos para casas inteligentes de marcas diferentes.

Em outras palavras, se você comprar uma lâmpada que pode ser acendida via internet e que funciona com a Alexa, ela também deve funcionar com a Siri e o Google Assistant. Isso deve ajudar a reduzir a confusão na compra de produtos para a casa, e aumentar a facilidade de usar juntos aparelhos de sistemas diferentes.

Milanesi disse que eliminar a complexidade era um passo necessário para que os gigantes da tecnologia realizem seu objetivo maior: automação real da casa, sem que as pessoas precisem dizer aos assistentes virtuais o que fazer.

 

“Você quer que os aparelhos conversem entre eles, em lugar de servir como tradutor nas interações entre esses dispositivos”, ela disse. “Se eu mando um comando para abrir a porta, ela pode informar às lâmpadas que está aberta e que portanto as luzes precisem se acender”.

Se e quando isso acontecer, teremos casas verdadeiramente inteligentes —enfim.

A ascensão lenta mas firme do 5G

Em 2019, a indústria da telefonia móvel começou a adotar o 5G, tecnologia que transmitirá dados em velocidades tão altas que as pessoas poderão baixar filmes inteiros em questão de segundos.

Mas o lançamento das redes 5G foi um anticlímax, e muito irregular. Nos Estados Unidos, as operadoras de telefonia móvel colocaram redes 5G em operação em apenas algumas dezenas de cidades. E apenas alguns poucos dos smartphones novos lançados no ano passado funcionam com a nova tecnologia de celulares.

Em 2020, o 5G ganhará algum ímpeto. A Verizon anunciou que antecipava que sua cobertura 5G se estendesse a metade dos Estados Unidos este ano. A AT&T, que oferece dois tipos de 5G —5G Evolution, pouco mais rápida que as redes 4G, e 5G Plus, a versão realmente rápida— disse que antecipava que no começo de 2020 houvesse redes 5G Plus em funcionamento em partes de 30 cidades dos Estados Unidos.

Outro sinal de que as redes 5G estão realmente se estabelecendo no mercado? Um conjunto mais amplo de aparelhos estará disponível para trabalhar no novo padrão de comunicação sem fio.

E o 5G também vai trabalhar nos bastidores, de maneiras que só se tornarão claras com o passar do tempo. Um benefício importante da tecnologia é sua capacidade de reduzir muito a latência, ou o tempo que demora para que aparelhos se comuniquem uns com os outros.

Isso será importante para a compatibilidade de aparelhos de próxima geração, como robôs, carros autoguiados e aeronaves de pilotagem remota (drones).

Por exemplo, se o seu carro tiver 5G e outro carro tiver 5G, os dois carros poderão se comunicar, sinalizando que estão freando e mudando de faixa. A eliminação da demora na comunicação é crucial para que os carros possam de fato se autoguiar.

O mercado de aparelhos vestíveis se aquece

O momento é de intensa concorrência nos computadores vestíveis, o que deve resultar em mais criatividade e inovação.

Por muito tempo, a Apple dominou o segmento de vestíveis. Em 2015, ela lançou o Apple Watch, um smartwatch cujo foco era a monitoração da saúde. Em 2016, ela lançou o Airpods, um fone de ouvido sem fio que pode ser controlado com a Siri.

De lá para cá, muitas outras empresas entraram no mercado, entre as quais Xiaomi, Samsung e Huawei. O Google recentemente adquiriu a Fitbit, fabricante de aparelhos eletrônicos para fitness, por US$ 2,1 bilhões, na esperança de recuperar o atraso com relação à Apple.

Os chips de computador estão chegando a novos produtos eletrônicos, como os fones de ouvido, o que significa que é mais provável que empresas introduzam inovações em acessórios vestíveis, disse Frank Gillett, analista de tecnologia na Forrest. Duas possibilidades: fones de ouvido que monitoram a saúde do usuário registrando a pulsação de seus ouvidos e fones de ouvidos que servem como aparelhos auditivos de baixo preço.

“Toda a área de melhorar nossa audição e de ouvir como as demais pessoas nos ouvem é realmente interessante”, ele disse.

A revolução do streaming

Ingressamos em alta velocidade na era do streaming, e isso vai continuar.

Em 2019, a Netflix foi o serviço de vídeo mais assistido dos Estados Unidos, com as pessoas dedicando em média 23 minutos diários a assistir seu conteúdo, de acordo com o grupo de pesquisa eMarketer. No total, o vídeo digital respondeu por um quarto do período diário gasto com aparelhos digitais no ano passado, o que inclui tempo gasto com navegadores de internet e apps.

A fatia da Netflix no tempo geral que dedicamos a assistir vídeos em aparelhos eletrônicos provavelmente cairá em 2020, de acordo com a eMarketer, por conta da chegada de serviços de streaming concorrentes como o Disney+, HBO Max e Apple TV+.

“Mesmo que os americanos estejam dedicando mais tempo a assistir a Netflix, a atenção das pessoas se dividirá mais, com a chegada de novos serviços de streaming”, escreveu Ross Benes, analista da eMarketer, no blog da empresa.

Assim, caso você não goste de “The Mandalorian”, “The Morning Show” ou “Watchmen”, você não mudará de canal: mudará de app.
 
Tradução de Paulo Migliacci

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