Justiça alemã investiga se Mitsubishi fraudou motores a diesel

Ministério Público suspeita de programa para mascarar emissão de poluentes

Frankfurt am Main | AFP

A Justiça alemã realizou dez operações de busca e apreensão nesta terça-feira (21) no âmbito de uma investigação por suposta fraude envolvendo motores a diesel instalados em veículos Mitsubishi, anunciou o Ministério Público de Frankfurt.

A Procuradoria suspeita que os motores estejam equipados com um programa que os faz parecer menos poluentes do que realmente são.

A investigação afeta "responsáveis de um grupo internacional automobilístico, dois fornecedores internacionais de equipamentos e uma empresa comercial".

O fornecedor de equipamentos Continental, o segundo maior grupo do setor, confirmou que três de seus escritórios foram revistados e que a empresa foi "citada na investigação como testemunha".

Homem no stand da Mitsubishi no salão de Tóquio, Japão - Soe Zeya Tun - 24.out.19/Reuters

"Nós cooperamos totalmente com as autoridades", afirmou a empresa.

As operações acontecem no âmbito do grande escândalo dos motores a diesel manipulados, que eclodiu em 2015, quando a fabricante alemã Volkswagen confessou ter equipado 11 milhões de veículos com um programa de computador que falsificava o nível de emissões poluentes.

 

Desde então, várias fabricantes e fornecedores de equipamentos foram respingados pelo chamado "dieselgate", como os alemães Bosch e Daimler. 

A Mitsubishi Motors, que faz parte da aliança Renault-Nissan desde 2016, admitiu no mesmo ano que havia maquiado os níveis de consumo de combustível de vários modelos de veículos vendidos no Japão.

No entanto, não mencionou nada sobre uma eventual manipulação de suas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx).

O escândalo custou à Volkswagen mais de 30 bilhões de euros em recall e custos legais.

Em janeiro, o grupo anunciou que havia iniciado negociações para chegar a um acordo amistoso no julgamento em envolve centenas de milhares de clientes na Alemanha.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.