Fechamento de empregos formais desacelera em junho, diz Caged

Saldo de vagas com carteira assinada ficou negativo em 11 mil em junho, melhor do que meses anteriores, mas 1,5 milhão de pessoas perderam emprego na pandemia

Brasília

O fechamento de vagas formais no mercado de trabalho brasileiro, que disparou após o início da pandemia do novo coronavírus, desacelerou em junho. No mês passado, o saldo ficou negativo em aproximadamente 11 mil postos, uma melhora significativa em relação aos meses anteriores.

Ainda assim, o total de empregos com carteira assinada perdidos no país desde o início da pandemia, em março, supera 1,5 milhão. O resultado é o pior da série histórica do governo, iniciada em 1992.

Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) foram apresentados nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Economia.

Trabalhadores se aglomeram para entregar currículos em empresa na região central de São Paulo - Danilo Verpa-19.set.19/Folhapress

Nos dois primeiros meses do ano, a economia brasileira vinha criando postos de trabalho. Em janeiro e fevereiro, antes da crise de saúde pública, o país criou 341 mil vagas —quase 50% a mais do que o registrado nos dois primeiros meses de 2019.

Com o resultado negativo entre março e junho, já sob efeito de medidas restritivas nas cidades e fechamento de comércio e empresas, passou a haver saldo negativo no ano.

A perda de vagas foi de 260 mil em março, 918 mil em abril e 350 mil em maio.

Considerando os seis primeiros meses de 2020, o resultado ficou negativo em 1,2 milhão de vagas formais. No mesmo período de 2019, o saldo foi positivo em 408 mil postos.

Em relação ao mês anterior, junho apresentou uma alta de 24% nas contratações e um recuo de 16% nos desligamentos.

No mês passado, o melhor desempenho setorial ficou com a agropecuária, que abriu quase 37 mil vagas com carteira assinada. A construção também teve saldo positivo, com 17 mil novos postos.

Os dados negativos ficaram com o setor de serviços, que perdeu quase 45 mil empregos no mês, comércio, com menos 16,6 mil vagas, e indústria, com menos 3,5 mil.

No recorte por região, o Sudeste liderou as perdas, fechando 28,5 mil vagas. O Nordeste perdeu 1,3 mil. No sentido oposto, houve saldo positivo no Centro-Oeste (10 mil), Norte (6,5 mil) e Sul (1,7 mil).

“Qualquer tipo de perda de trabalho não é algo que se comemora, no entanto, [o resultado] é muito expressivo, levando em conta o tamanho dessa pandemia que estamos enfrentando”, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco.

“O ministro Paulo Guedes (Economia) vinha dizendo que espera uma recuperação em ‘V’ e a gente demonstra, com os números do Caged, que isso é possível”, disse.

O governo argumenta que programas emergenciais evitaram dados piores de emprego na pandemia. Uma das medidas citadas foi a que permitiu a suspensão de contratos e redução de jornadas e salários após acordo entre patrão e trabalhador.

Até o momento, 14,8 milhões de acordos desse tipo foram firmados por aproximadamente 1,4 milhão de empresas. O setor de serviços responde por 7,2 milhões desse total, seguido por comércio (3,7 milhões), indústria (3,3 milhões) e construção (358 mil).

Para bancar a compensação parcial paga a esses trabalhadores, o governo já reservou R$ 21,2 bilhões do Orçamento.

Nesta terça-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou o adiamento da divulgação da Pnad Contínua, que calcula a taxa oficial de emprego no país. O órgão alega haver dificuldade na realização da pesquisa, que era presencial e passou a ser feita por telefone após a pandemia.

Nesta semana, o secretário de Política Econômica do governo, Adolfo Sachsida, disse à Folha que os dados oficiais de emprego não estão captando a real situação do mercado de trabalho e que os índices de desemprego darão um “repique grande” em setembro.

Em relação às declarações de Sachsida, Bianco disse que o mercado está reagindo e que não espera mais desemprego.

“Obviamente, muitas pessoas saíram da força de trabalho porque os efeitos da pandemia impedem que elas busquem emprego. Mas há uma diferença grande entre o emprego informal e o formal. Por isso, o governo atua nas duas frentes, com o auxílio emergencial aos informais e também com o benefício voltado aos formais”, disse.

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