Trump assina decretos de ajuda ao desemprego após fracasso nas negociações com o Congresso

Auxílio será de cerca de R$ 2.000 a desempregados nos EUA

Bedminster (EUA) | Reuters

O presidente Donald Trump assinou ordens executivas neste sábado (8) para fornecer mais ajuda financeira aos americanos duramente atingidos pela pandemia do coronavírus, depois que seus negociadores não conseguiram um acordo com o Congresso.

Trump disse que os decretos proporcionarão US$ 400 (cerca de R$ 2.000) a mais por semana às dezenas de milhões de pessoas desempregadas durante a crise de saúde que já matou mais de 160 mil americanos —contra os US$ 600 por semana aprovados no primeiro semestre.

Presidente Donald Trump assina ordem executiva estendendo alívio econômico durante a pandemia de coronavírus
Presidente Donald Trump assina ordem executiva estendendo alívio econômico durante a pandemia de coronavírus - JIM WATSON/ AFP

Algumas das medidas provavelmente enfrentarão empecilhos legais, já que a Constituição dos Estados Unidos dá autoridade ao Congresso sobre os gastos federais.

"Esse é o dinheiro de que eles precisam, é o dinheiro que desejam, isso lhes dá um incentivo para voltar ao trabalho", disse Trump sobre a redução dos benefícios a desempregados.

Os congressistas republicanos argumentaram que os pagamentos maiores eram um desestímulo para os desempregados tentarem voltar ao trabalho, embora economistas, incluindo autoridades do Federal Reserve (banco central), contestassem essa afirmação.

Trump também disse que iria suspender a cobrança de impostos sobre a folha de pagamentos, que financiam a Previdência Social e outros programas federais, ideia que ele sugeriu várias vezes, mas foi rejeitada pelos congressistas democratas e republicanos igualmente.

Suas ordens também cancelariam os despejos de inquilinos de imóveis com apoio financeiro federal e ampliariam os juros zero sobre os empréstimos estudantis financiados pelo governo federal, segundo Trump.

"Os legisladores democratas bloquearam nossos esforços para prorrogar essa ajuda", disse Trump a repórteres em seu clube de golfe em Nova Jersey, em uma sala onde havia um grande grupo de apoiadores entusiásticos.

A presidente da Câmara dos Deputados (democrata), Nancy Pelosi, pressionou para estender os pagamentos de desemprego ampliados ao nível anterior de US$ 600 por semana, aprovado no início da crise.

Quase duas semanas de negociações entre autoridades da Casa Branca e congressistas democratas terminaram na sexta-feira (7) com os dois lados ainda a cerca de US$ 2 trilhões de diferença sobre as próximas etapas para enfrentar o pesado custo humano e econômico que a pandemia impôs aos Estados Unidos, onde já matou mais de 160 mil pessoas.

Trump inicialmente minimizou a ameaça da doença e atraiu críticas por suas mensagens incoerentes sobre as medidas de saúde pública, como distanciamento social e uso de máscaras.

O aumento de US$ 600 por semana nos pagamentos a desempregados, que foi a salvação para dezenas de milhões de americanos que perderam o emprego com a pandemia, expirou no final de julho.

Pelosi e o líder da minoria (democrata) no Senado, Chuck Schumer, ofereceram na sexta-feira para reduzir em quase um terço o pacote proposto de ajuda ao coronavírus, de US$ 3,4 trilhões, que a Câmara aprovou em maio, mas o Senado ignorou, se os republicanos concordassem em mais que dobrar sua contraoferta de US$ 1 trilhão.

Os negociadores da Casa Branca, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o chefe de gabinete, Mark Meadows, recusaram a oferta.

O pacote de US$ 1 trilhão do líder da maioria (republicana) no Senado, Mitch McConnell, revelado no mês passado, recebeu oposição imediata de seu partido, e previa-se que até 20 dos 53 senadores republicanos se oporiam a ele.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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