Busca por diversificação deve impulsionar mercado de ETFs, afirmam especialistas

Fundos da modalidade são alternativas menos custosas para investidores

São Paulo

O Itaú lançou nesta segunda-feira (16) um novo ETF de renda fixa, que vai replicar um índice formado por uma carteira de títulos públicos e que serve como referência para investimentos de renda fixa.

Com prazo de dois anos e taxa de administração de 0,20% ao ano, o fundo, chamado B5P211, replicará o IMA-B5 — índice de mercado da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

ETFs (sigla para exchange traded funds) são fundos de investimentos que replicam o desempenho de índices já existentes no mercado.

O B5P211 é o quinto fundo da categoria de renda fixa na carteira do Itaú. Com ele, o banco contabiliza 13 fundos listados na Bolsa de Valores brasileira —48,2% de todos os ETFs listados no mercado.

ETFs são negociados na Bolsa e acompanham o desempenho de índices já existentes
ETFs são negociados na Bolsa e acompanham o desempenho de índices já existentes - Michael Nagle - 19.mar.2020/Xinhua

O movimento do Itaú não é o único. No mês passado, BTG Pactual e BB DTVM lançaram novos fundos de índice de renda variável. O próprio Itaú lançou, em fevereiro, seu primeiro ETF de small caps (empresas, em geral de menor porte, que são listadas na Bolsa e que têm menor liquidez e capitalização).

"É preciso oferecer cada vez mais instrumentos que tragam diversificação para a carteira”, afirmou à Folha o chefe de estratégia beta e integração ESG (melhores práticas ambientais, sociais e de governança) da Itaú Asset Management, Renato Eid.

A oferta de ETFs resulta da contínua redução da taxa básica de juros no país –atualmente em 2% ao ano.

Segundo o estrategista-chefe da Guide investimentos, Luis Sales, apesar de o mercado desses índices ainda ser muito restrito no país, ele tem crescido com o lançamento desses fundos e o apetite por investir nesses ativos.

“Ainda temos poucos ETFs com liquidez negociáveis, é um mercado incipiente. Mas os fundos começam a ganhar relevância na busca dos investidores, principalmente neste ano”, afirmou.

Também impulsionado pela menor taxa básica de juros, o número de investidores pessoas físicas atingiu 2,3 milhões de CPFs registrados na B3 –número 80% maior do que o registrado em todo o ano passado, de 1,3 milhão.

“O cliente que tem um ETF consegue ter uma exposição maior em uma classe de ativo sem necessariamente precisar se preocupar em correr o risco de comprar as ações diretamente”, afirmou o sócio da Portofino Multifamily Office, Mário Kepler.

Ele também destaca o baixo custo de investimento.

“Enquanto um fundo de renda variável, por exemplo, tem uma cobrança média de 2%, além das taxas de performance, um fundo de índice custa cerca de 0,25% ou 0,30%”, disse.

Os ETFs são negociados na Bolsa de Valores e, por replicarem o desempenho de índices já existentes no mercado, não precisam gastar muito na aquisição de informação e na análise de empresas –o que acaba diminuindo o seu custo.

Os especialistas afirmam, ainda, que o crescimento do mercado de ETFs é uma tendência no país. Para Sales, da Guide, a expectativa é que o segmento siga cada vez mais o que é observado no mercado americano, com ETFs mais específicos ou divididos por setores ou commodities.

“ Na medida que os investidores percebem que o ETF pode ser uma alternativa mais fácil e que o mercado também traz novos produtos, o segmento cresce. É um caminho natural”, disse.

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